Yellow Sounds #65 – The Doors (1967)

“Era um verão maravilhoso e quente e eu comecei a ouvir aquelas músicas”

O álbum de estreia do The Doors completou 50 anos esta semana, data que rendeu celebrações com participação dos membros remanescentes da banda – o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore – no “Day of the Doors”. E essa poderia ser a razão pela qual The Doors, o álbum, veio parar na coluna da semana, mas não é. A real razão? O verão.

Ah, o verão… O digníssimo Jim Morrison estava na praia, curtindo merecidos momentos de liberdade depois de anos na vida de estudante, quando decidiu que queria fazer algo parecido com as músicas que ouvia por lá. O que, ao certo, ele ouvia, eu não sei dizer. Mas se pensar que foi aquilo o que deu origem ao The Doors, a pergunta que fica é: que praia é essa e como chega lá?

A essa altura, o que realmente importa para nós é que, por lá, Morrison tava viajando naquilo que chamou de concerto místico e era isso o que queria fazer. No crescente da psicodelia, Jim se uniu ao tecladista Ray Manzarek para dar início ao projeto do The Doors que, mais adiante, ficaria completo com Krieger e Densmore.

A banda trazia em sua bagagem diversas e ricas influências que não foram deixadas de lado: como o jazz, o folk o blues e o próprio rock. De cara, já na introdução, Break On Through (To The Other Side) começa nos mostrar o que é o som do The Doors.

Ao longo de todo o álbum, a voz de Jim se equilibra entre o leve e o enérgico, acompanhada sobretudo do teclado e da bateria, que ditam o ritmo para os quadris. Soul Kitchen é a prova de que The Doors é dançante como tudo que nasceu da praia haveria de ser.

Não é uma dança qualquer, claro. A praia de Morrison é diferente da praia contemporânea que temos em mente. Há, aqui, faixas mais suaves – talvez pra balançar o corpo num transe disso que ele chamou de místico – como The Crystal Ship e End Of The Night.

Para entender melhor, o destaque maior vai para Light My Fire. Não somente por ter se tornado tamanho sucesso que é referência em praticamente qualquer conversa sobre o The Doors, mas porque é a que parece ser a tradução ideal do som e do sentimento que Jim quis captar e reproduzir. São pouco mais de sete minutos que reúnem um refrão que todos sabemos cantar e um instrumental que beira o hipnotizante.

Além dessas, é preciso citar Back Door Man, cover bem-sucedido do blues de Willie Dixon – há também Alabama Song (Whisky Bar), de Bertolt Brecht (que também ganhou versão de David Bowie). I Looked At You e sua alegria simples também não pode passar batida! 

Fechando, temos The End, uma composição de quase 12 minutos que é, por si só, uma história completa, com várias teorias e explicações. Fica a dica para que os mais curiosos ouçam acompanhando com a letra e, quem sabe, se aventurem nessa viagem. É provável que o álbum crie o clima certo…

Divirtam-se!

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.