Yellow Sounds #61 – Roger The Engineer (1966)

Daquela banda que teve três dos melhores guitarristas de todos os tempos…

Yardbirds

Pássaros de jardim… Um nome que não soa forte o bastante para fazer jus aos voos que seriam alcançados pela banda e pelos seus membros. O The Yardbirds, invasores britânicos, formaram um dos grupos mais importantes e influentes dos anos 60. Por lá passaram três dos maiores guitarristas de todos os tempos: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page.

Quando começou, a banda apresentou um som que os colocaria dentre os pioneiros do blues rock. Acompanhados de Eric Clapton – que se juntou ao grupo pouco depois -, gravaram covers de artistas como Bo Diddley, Johnny Lee Hooker e Chuck Berry.

Uma inclinação para o pop desagradou Clapton, que deixou a banda para dar lugar a Jeff Beck, por indicação de Page. Foi aí que Keith Relf, o vocalista, encontrou alguém com quem dividia seu interesse por psicodelia, permitindo aos Yardbirds alcançar um novo nível de criatividade. O resultado – que marca outro pioneirismo dos caras – foi um som que fez da banda uma relevante influência para diversos músicos e peça importante na história do rock.

yardbirds

Lançado originalmente como Yardbirds, título que recebeu na Inglaterra, o quarto álbum de estúdio da banda passou a ser conhecido como Roger The Engineer, como saiu nos Estados Unidos, por causa da ilustração da capa, de autoria de Chris Dreja.

Blues, rock, psicodelia. Os Yardbirds entregavam ao mundo seu primeiro álbum completamente original e coeso, sem o uso de “recursos” como covers e regravações de materiais lançados anteriormente. Entendo a originalidade aqui como um fator determinante para que Roger apareça em nossa lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”, como único representante da banda.

Parece injusto destacar um cara só, mas é basicamente esse o caminho para falar desse álbum. Então vamos lá… Lost Woman abre o álbum para mostrar de cara a influência do blues. Não que alguém mais fizesse blues dessa forma naquela época (?). Ainda nessa linha, destaque para The Nazz Are Blue, uma de minhas favoritas. É a única em que Jeff assume o vocal.

Over, Under, Sideways, Down, que se tornou hit a ponto de dar nome ao álbum na Alemanha e alguns outros países, conta com Jeff na guitarra e no baixo. E, uma vez mencionada, vale destacar o maravilhoso solo de guitarra em Rack My Mind e a faixa Jeff’s Boogie, puramente instrumental, para deleite dos fãs.

Finalizando minha lista de destaques estão He’s Always There, outra favorita, e Turn into Earth, o melhor exemplo da psicodelia no álbum.

Como era comum, a versão de Roger The Engineer lançada na Terra do Tio Sam traz algumas mudanças com relação àquela lançada na Terra da Rainha. Apesar de ter adotado o título americano aqui, me baseei no exemplar britânico. Independente de qual se escolha ouvir, é uma boa pedida. Afinal, não é qualquer banda que tem Clapton, Beck e Page em sua história…

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.