Yellow Sounds #62 – Disraeli Gears (1967)

A mistura perfeita entre a psicodelia britânica e o blues americano

Disraeli Gears. Um nome que surgiu de um erro de pronúncia que não tem nada a ver com a música, mas que, ainda assim, pode nos contar uma boa história sobre o Cream e o rock. Da época em que um Eric Clapton pronto para expandir seu som para além do blues se juntou a Ginger Baker e Jack Bruce para formar o primeiro supergrupo de sucesso.

Em meados da década de 1960, Clapton era quase um desconhecido em terras americanas porque havia deixado os Yardbirds – que apareceram na coluna da semana passada – antes do sucesso dos caras. Era, porém, um nome já familiar na Terra da Rainha, onde teve curta, mas importante passagem pela banda de John Mayall.

Cruzar o oceano em busca de sucesso na terra do Tio Sam já havia se tornado prática comum aos britânicos e o Cream finalmente chegou a esse ponto com o seu segundo álbum de estúdio, considerado até hoje o seu masterpiece. Disraeli Gears surgiu de um contexto em que a psicodelia ganhava força, cores, tons e adeptos a cada dia. Além de contar com Ginger e Bruce como peças fundamentais para que Clapton conseguisse explorar esse novo som.

Assim, o Cream nos deu o som mais fora da caixinha que o cara havia feito até então e um álbum que pode ser considerado a mistura perfeita entre essa tal psicodelia – alô Jimi Hendrix – e o blues que, né, Clapton jamais abandonaria (ainda bem).

Strange Brew, que abre o álbum, traz justamente Clapton no vocal e é um bom exemplo dessa mistura que traz o algo novo, mantendo um pé nas origens. Mas é com Sunshine Of Your Love, com Bruce de lead vocal, que o álbum começa verdadeiramente para mim.

Em outras palavras, foi aqui que Disraeli Gears me ganhou. Com uma música que quase foi rejeitada pela gravadora que trabalhava com eles nos Estados Unidos, porque duvidavam de seu potencial. Sunshine acabou sendo um grande sucesso, um dos singles mais populares de 1968.

A sequência desse que formava o lado A do disco é um pouco menos animada, cabendo meu destaque para Dance The Night Away como um verdadeiro convite para uma dança-viagem psicodélica. Aquele que era o lado B começa com duas das minhas faixas favoritas do álbum: Tales Of Brave Ulysses e SWLABR, em contraste ao blues de Outside Woman Blues, que novamente traz Clapton nos vocais, e a ótima Take It Back.

Fechando o álbum está Mother’s Lament. Não é das minhas favoritas, mas traz os três nos vocais e quis ressaltar isso só para dizer que, apesar de o nome de Clapton, hoje, ter mais peso, os caras ali faziam jus ao power que definia seu trio.

Bruce, que está entre os melhores baixistas da história – segundo a Rolling Stone – era basicamente o lead vocal e compôs a maioria das músicas da banda. Ginger, por sua vez, é considerado um dos melhores e mais influentes bateristas de todos os tempos. Eric Clapton…Bom, é Eric Clapton.

O que isso tudo quer dizer? Que como prometido (por mim), Disraeli Gears nos conta sobre o Cream, personagens e capítulos importantes do nosso querido rock n’ roll. Enjoy 😉

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.