Yellow Sounds #59 – The “Chirping” Crickets (1957)

“Se alguém perguntar que tipo de música você toca, responda pop. Não responda rock, ou não te deixarão nem entrar no hotel”

the-crickets

Comecei uma viagem no tempo em busca das origens do rock n’ roll e, por querer trazer o assunto para a coluna, passeei pela lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer” em busca de algum som que se encaixasse nessa premissa.

Para a minha surpresa, nem Chuck Berry, considerado o pai da coisa toda, aparece por lá. Jerry Lee Lewis também não. E nem Buddy Holly, não sozinho. Felizmente, em parceria com seus grilos falantes, ele conseguiu um material bom o bastante: o The “Chirping” Crickets.

O The Crickets foi formado pelo próprio Buddy quando ele resolveu dar mais uma chance à música. Isso porque, pouco antes, ele passou por perrengues com sua gravadora – a Decca – que preferia que ele se mantivesse mais no country ao invés de tentar se aventurar pelo tal do rock e as coisas não deram muito certo…

Já sem vínculos com a gravadora, sem contrato e sem banda, Holly se juntou a Jerry Allison, Joe B. Mauldin e Niki Sullivan. Eles lançaram, então, uma nova versão, mais rock, de That’ll Be The Day, que se tornou hit e finalmente fez com que nosso rapaz (e sua turma) conhecessem a fama. Foi fácil identificar essa como minha faixa favorita de todo o álbum. E o curioso aqui é que a versão anterior foi rejeitada pela Decca pouco tempo antes.

À época do lançamento de The “Chirping” Crickets, Buddy Holly já sabia quem era Elvis Presley – que foi um contemporâneo. O futuro Rei do Rock fez algumas apresentações na cidade em que Holly morava, em 1955, e esse contato influenciou mudanças na relação de Buddy com a música.

Mais adiante no tempo, foi a aparição de Holly no cenário britânico que mexeu com os futuros Beatles, quando os garotos se viram diante de um sujeito que não aparentava ser um sexy symbol – o mercado sempre teve dessas “premissas” – e que cantava e tocava ao mesmo tempo, além de compor.

Tudo isso nos leva à possível interpretação de que The “Chirping” Crickets é o resultado da soma de uma leve pegada a la Elvis + aquilo que deu origem aos Beatles e, claro, a todo o talento de Holly e sua turma.

É daí que se origina certa familiaridade ao ouvir o álbum. Ainda que menos eletrizante que Elvis, o rockabilly é sentido, pelos ouvidos e quadris, em faixas como Oh Boy – outra favorita – e I’m Looking For Someone To Love. E, caminhando em direção aos garotos de Liverpool, cito Maybe Baby. É válido dizer que essa foi uma das mais de dez canções de Holly que o quarteto viria a regravar. Curiosamente, a versão deles soa um bocado diferente (ouça aqui).

Associar Buddy Holly a Elvis e Beatles me parece um caminho satisfatório para tentar deixar claras as razões pelas quais The “Chirping” Crickets deveria entrar na playlist de todos os fãs do rock n’ roll, ao menos uma vez. Para ajudar, além das já faixas já citadas como relações que me aconteceram de forma mais natural, destaco ainda Not Fade Away, You’ve Got Love, Tell Me How e An Empty Cup (And a Broken Date). Divirtam-se!

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.