Yellow Sounds #46 – The Clash (1977)

O choque; o conflito; o estrondo.

the clash capa

Essas são algumas das palavras que traduzem clash e que se encaixam bem ao The Clash. A banda foi mais uma a surgir em meio à explosão do punk na Inglaterra e, provavelmente, uma das únicas a apresentar algo ali que pudesse levar o movimento para além daquilo que o Sex Pistols já havia apresentado.

Bom, é certo que as palavras destacadas poderiam definir o punk de modo geral, desde as razões para o seu surgimento, passando pela imagem e até ao som veloz e enérgico.

A questão é que o The Clash não queria apenas compor o cenário, mas criar sua própria identidade e se esforçou muito para isso. Ainda com poucas apresentações e menos ainda como atração principal, conseguiram um (polêmico) contrato que deu origem ao primeiro e homônimo álbum da banda.

CHALKIE DAVIES

The Clash (o álbum) é cru e foi considerado “pouco produzido” para se tornar atraente ao mercado americano – e, por isso, só foi lançado por lá em 79, após London Calling (o terceiro e melhor sucedido LP da banda, que também aparece na lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”). Essas características, porém, são o que mais me atrai no disco porque têm potencial para nos levar numa viagem mais fiel à cena daquele que foi o ano mais marcante do punk britânico.

Apesar das 14 faixas, o álbum é curto, rápido e intenso, como o punk sugeria que haveria de ser. Vamos às minhas favoritas!

Janie Jones, a envolvente faixa de abertura que deveria ter sido lançada como single, é um exemplo de um punk ainda mais descontraído em suas letras. Na mesma linha, está Protex Blue.

London’s Burning pode ser vista como uma faixa transitória até chegarmos às que, de fato, apresentam o caráter mais crítico, social e político que ganhou forma no punk da terra da Rainha, como White Riot (essa sim lançada como single – a outra foi Remote Control, contra a vontade da banda!), Hate & War e, em especial, Career Opportunities.

I’m So Bored With the USA, apesar de apresentar razões diferentes das nossas, é uma crítica que muitos brasileiros gostariam de fazer,  contra a americanização da Inglaterra.

Por fim, o melhor da rebeldia do The Clash está em Garageland, uma resposta a um crítico que, após assistir a uma apresentação em 76, disse se tratar de uma banda de garagem que deveria retornar rápido para garagem. Traduzindo: sair de cena. E lembram do contrato polêmico? Dentre as críticas, especializadas e do público, estavam a de que a banda havia se vendido e “matado” o punk. A faixa é vista também como uma resposta a isso, para dizer que o The Clash seguiria sendo o The Clash de antes. E foi assim. Ao menos nesse álbum…

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.