Yellow Sounds #43 – Who’s Next (1971)

capa whos next

Quando nossas comemorações relacionadas à semana do rock começaram, eu tinha certeza que queria escrever sobre o The Who. Baba O’Riley tocava repetidamente na minha cabeça – e playlist – há dias e eu nem sequer pensei em fugir muito disso.

Cogitei trazer outros álbuns, como Tommy, para falar um pouco de opera rock e fugir do lugar comum que é destinado ao melhor álbum de uma banda. No fim das contas, não deu. Ouvi quase todos os cinco LPs presentes na lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer” , mas sempre voltava a Who’s Next.

O álbum em questão é justamente o sucessor de Tommy. Não era para ser assim. O Who, sobretudo Pete Townshend, tinha um projeto – Lifehouse – inovador e complexo sobre a música como ferramenta de comunicação, envolvendo  o público e que, por uma série de razões, acabou não dando certo. Pete ficou arrasado e depois soubemos que a banda chegou perto de um fim.

Who’s Next foi o que, finalmente, veio depois de tudo isso, para salvar a banda, apresentar um dos melhores álbuns dos últimos tempos – dizia a crítica à época – e um dos melhores álbuns até então. Uma alegria para quem, assim como eu, acha que dia do rock é todo dia!

Sem as amarras dos projetos conceituais anteriores, a banda esteve mais livre para criar. Não que Lifehouse tenha sido completamente abandonado, uma vez que várias faixas do novo álbum estariam no projeto, bem como o uso de sintetizadores e computadores.

Comecemos com a já mencionada Baba O’Riley, que abre o álbum: uma das melhores músicas da história. Eu não aconselho ninguém a parar de ouvir Who’s Next depois da primeira faixa, mas se essa não te agradar, pode ser que esse álbum não seja para você. Mas, se você continuar, vai entrar no clima certo para cantar “the best I ever haaaad”, com Bargain, que vem logo em seguida. Essa, inclusive, pode ser considerada uma das músicas mais bonitas do The Who:

Voltamos a Lifehouse com Love Ain’t For Keeping, mas que aparece aqui numa versão menos hard core do que a ideia original. E não quero que isso soe como algo ruim. A leveza deu à faixa beleza suficiente para figurar entre os meus destaques.

The Song Is Over, Getting In Tune, Going Mobile e Won’t Get Fooled Again – uma de minhas favoritas – também fariam parte do projeto. Assim como Behind Blue Eyes. É estranho dizer isso, mas o motivo para eu não gostar tanto dessa música é tê-la conhecido e ouvido à exaustão na versão cover feita pelo Limp Bizkit. Alguém mais?

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Lembram?

Quando escrevo sobre um álbum aqui, raramente faço diferenciação entre a versão original e lançamentos posteriores. Hoje vai ser diferente porque se você gostar tanto de Who’s Next quanto eu, não vai se importar em passar mais alguns minutos ouvindo as faixas inclusas na versão remasterizada, de 1995. Destaco aqui Baby Don’t Do It e Water. #FicaDica e aperta o play 😉

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.