Yellow Sounds #42 – Os Mutantes (1968)

Porque o Dia Mundial do Rock só se celebra no Brasil…

mutantes capa

… E se é assim, falemos de música nacional dando início à semana do rock no PontoJão!

Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias: o trio que deu origem à banda cujo nome foi inspirado no livro “O Império dos Mutantes” – que eu nunca li. Não tivesse tomado conhecimento desse fato, seguiria imaginando se Os Mutantes seria uma referência à toda experimentação que eles trouxeram ao incorporar elementos do rock e da psicodelia à música nacional. Poderia ser.

Eu demorei, na vida, a apreciar a experimentação. Um pouco menos do que demorei para querer me abrir mais à música brasileira. Aliando minhas demoras, a minha capacidade para apreciar Os Mutantes representa algo relativamente novo para mim.

Não fosse esse meu gosto adquirido por ver artistas buscando inovar, criar e se divertir, eu não seria capaz de entender a grandeza deste que é um dos nossos dentre os “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Não me bastariam as outras listas e nem o reconhecimento internacional se eu não tivesse aprendido a ouvir Os Mutantes (o álbum) para além da música.

Panis et circenses é a faixa que abre o álbum, talvez para avisar que é esta a missão que ele vem para cumprir: divertir. A irreverência de uma banda que pode se dar ao luxo de fazer música pelo prazer de (se) entreter vem até a nós outras vezes, ao longo do álbum. Destaco A Minha Menina  – um dos singles – e Senhor F.

Essa última é uma das canções que foram escritas pela banda, assim como O Relógio e Ave Gengis Khan. Trem Fantasma é de Caetano em parceria com Os Mutantes. O fato da banda ter gravado canções de outros – Jorge Ben, Humberto Teixeira, Gil… – não lhes tira brilho algum. Não somente pelo peso desses nomes (e por essa ser uma prática comum até aos bons da música brasileira), mas também por mostrar a capacidade do trio em transformar canções. É o que acontece com Adeus Maria Fulô – o outro single -, que ganhou o toque do rock mutante e Le Premier Bonheur du Jour, que foi do folk ao rock psicodélico.

E antes que eu acabe por destacar todas as faixas do álbum, é preciso falar de Bat Macumba que, para mim, é o resumo de Os Mutantes, da mistura entre os elementos da nossa música, com o rock, o psicodélico e as experiências que a banda veio nos apresentar.

Hoje, quase 50 anos após o lançamento, Os Mutantes ainda soa como algo inovador ou diferenciado. Uma agradável lembrança de que, digam o que quiserem dizer, o rock nunca morrerá.

Feliz Semana do Rock para vocês! Dá o play.

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.