Yellow Sounds #34 – Tonight’s the Night (1975)

“Eu aprecio a liberdade que tenho de colocar um álbum como Tonight’s The Night se eu quero fazê-lo”

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Quem deu à Neil Young a liberdade de fazer algo não-comercial ou que não atenda necessariamente aos interesses da indústria foi o próprio Neil Young. É claro que isso não veio do nada. Quando do lançamento de Tonight’s the Night, ele já tinha começado uma história com a Buffalo Springfield, banda que ajudou a criar o folk rock e o country rock; tinha lançado álbuns com a Crazy Horse; e recebido o Grammy de “Melhor Novo Artista” com o Crosby, Stills, Nash & Young.

Àquele tempo, ele era conhecido como Neil Young do CSNY, mas sempre teve isso de fazer uma coisa sua. Tonight’s the Night é seu sexto álbum, mas não era o que os produtores esperavam como um sucessor para o aclamado Harvest (1972). Time Fades Away (1974) acabou vindo antes.

O “problema” com Tonight’s era sua temática, que é “como uma carta sobre overdose […] sobre a vida, o vício e a morte”. Quando compôs a maioria das músicas, Neil tinha acabado de perder dois amigos em razão do abuso de drogas – Danny Whitten, da Crazy Horse e Bruce Berry, roadie do CSNY.

De fato, Tonight’s the Night não foi um sucesso comercial quando finalmente lançado. Um álbum melancólico e pesado demais para agradar a quem esperava algo na linha acústica e leve apresentada em Harvest.

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Quando ouvi o álbum inteiro pela primeira vez, eu só esperava que fosse interessante. Tinha lido o trecho acima antes e fiquei com a ideia de que devia ser legal. Fui direito a ele, sem passar pelos predecessores e, portanto, sem criar a possibilidade de uma comparação frustrada.

Quarenta anos após o lançamento, não sei se ouvir Harvest antes teria feito qualquer diferença. O tempo fez com que a qualidade de Tonight’s fosse reconhecida por público e crítica. Algo bom o bastante para levá-lo à nossa lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer” e à lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone.

Tonight’s the Night é poderoso, raivoso e intenso. World On a String, Come On Baby Let’s Go Downtown (com Danny Whitten), Roll Another Number, New Mama e  Tonight’s the Night foram as músicas que me fizeram pensar “uau!” logo de cara. Fico feliz que tenha guardado essa lista porque, das vezes seguintes em que ouvi o álbum, passei a gostar de outras faixas também e poderia estar aqui – como já aconteceu antes – destacando o track listing quase todo.

Neil Young foi a escolha para a coluna de hoje porque também estará no Oldchella. Porque eu realmente gostei muito desse álbum. E porque ele me inspirou a me permitir um pouco mais de liberdade…

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.