Yellow Sounds #33 – The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)

“A música folk é onde tudo se inicia e, de muitas maneiras, onde acaba”.

capa dylan

Ao que parece, Bob Dylan entende o folk como eu entendo o blues. Pensando nessa frase que li no livro “As melhores entrevistas da revista Rolling Stone”, decidi ir aonde tudo se iniciou para Dylan ou o mais próximo disso que nossa lista-guia me permitisse chegar.

The Freewheelin’ Bob Dylan é o segundo álbum de estúdio. À época, com seus vinte e poucos anos, Dylan apresentava, pela primeira vez, um material quase totalmente com composições próprias (ou em parceria). É de se pensar que o futuro haveria de ser promissor porque o álbum inicia-se com nada menos que Blowin’ In The Wind.

Talvez esse não seja o melhor álbum de Dylan. Há outros dentre os “1001 discos para ouvir antes de morrer” que poderiam ocupar esse posto. Mas The Freewheelin’ é um marco na história do cara e da música. Até os Beatles se renderam.

lennon dylan

Eu não sei se ele Dylan se sentia assim, mas a sensação que tenho é de que ele sempre foi uma dessas almas velhas. Não porque estamos em 2016, olhando para um álbum de folk feito por alguém que cresceu interessado por algo definido como música rural, num momento ideal para se ter contato com artistas do movimento que reviveu o folk e o blues nos anos 1960.

Dylan me parece eterno detentor de uma alma velha por aquilo em comum em nossas visões sobre folk e blues: é preciso sentir. “Se não sentir historicamente ligado a ela, então o que você está fazendo não vai ser tão forte e poderoso como deveria ser”, disse ele. E esse tipo de coisa não parece comum a alguém tão jovem.

Quando canta Don’t Think Twice, It’s Alright, Dylan parece até estar interpretando a história de outra pessoa, mas vivida. Essa, porém, é só uma das canções que têm a namorada do músico como inspiração. Girl from the North Country (há controvérsias) e Down the Highway entram para a lista. E, à essa altura, vale mencionar que e é ela, Suze Rotolo, que aparece na imagem da capa do álbum.

Considero muito boas todas as faixas citadas até aqui. Além delas, deixo como destaque aquelas que chamaram mais a minha atenção para o folk. São elas: Down The Highway, A Hard Rain’s A-Gonna Fall, Bob Dylan’s Dream, Oxford Town e I Shall Be Free. Essa última é justamente a que encerra o álbum, trazendo um pouco de leveza e animação após toda carga de emoção presente nas faixas anteriores.

Ouçam, divirtam-se e lembrem-se: Dylan estará no Oldchella (apelido dado à versão clássica do Coachella e já se especula – boatos mesmo – uma possível vinda do evento ao Brasil. Cruzem os dedos!).

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Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

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Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.