Yellow Sounds #29 – Rocks (1976)

O mais puro rock do Aerosmith, antes da chegada definitiva do country de Steven Tyler

rocks

O Aerosmith vai acabar. Não agora. Mas, em entrevista recente, Steven Tyler disse que a banda deve fazer sua turnê de despedida em 2017. Pode parecer estranho pensar que uma das gigantes do rock conhecerá seu fim após quase meio século, para que o vocalista se dedique à sua não-tão-recente carreira country.

É menos estranho se pensarmos no passado recente do Aerosmith. O último álbum, Music from Another Dimension!, lançado em 2012, foi o primeiro a apresentar apenas músicas novas desde Just Push Play¸de 2001. Nesse meio tempo, tivemos o Honkin’ On Bobo, que é de 2004. Apesar de terem material relativamente “recente”, os caras diminuíram a produção nos últimos anos. Normal.

Para que tudo não pareça “culpa” de Tyler, vale dizer que não faço ideia se os outros membros da banda também têm planos para o futuro. Mas, antes que o country comece dominar a categoria “ex-Aerosmith”, quero focar no que de mais rock&roll a banda já apresentou.

Para nossa alegria (rs), Rocks está na lista dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Há outros álbuns do Aerosmith por lá. Inclusive o que veio antes e abriu as portas do sucesso, o Toys In The Attic (1975). Rocks, porém, foi o responsável por consolidar esse sucesso, traz o rock&roll mais cru dos caras e serviu de inspiração para outros grandes como o Metallica e o Guns N’ Roses.

trio rocks.jpg

O mais legal é que, a essa altura, o álbum pode trazer “novidades” para muita gente. O Aerosmith tem vários sucessos que se tornaram “hits good times”. Inventei essa expressão agora, me referindo às músicas que as rádios tocam em seus programas para recordar clássicos do passado. Acontece que nenhum desses hits está em Rocks e isso é simplesmente fantástico.

Dois dos singles abrem o álbum, Back In The Saddle e Last Child – uma de minhas favoritas -, seguidas da empolgante Rats In The Cellar e de Combination – minha outra favorita. O terceiro e último single, Home Tonight, aparece para fechar a obra tão bem como ela começa.

Infelizmente, Rocks é um álbum curto. Tem pouco menos de 35 minutos de duração e nove faixas. Preciso, novamente, me atentar para não citar todas como destaques. Só não posso deixar de citar Nobody’s Fault, conhecida com uma das músicas mais pesadas do Aerosmith, e também uma das favoritas do James Hetfield e do Slash. Lembram da menção ao Metallica e ao Guns? Pois é.

Fugindo daquilo que se tornou lugar comum, Rocks tem músicas muito boas. Se você julga um álbum a partir das primeiras faixas ou decide após duas ou três se quer continuar ouvindo, as chances de chegar até o final são altas. Aperta o play!

________________________________________________________________________________________

Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.