Yellow Sounds #27 – Kid A (2000)

Onde diabos está Pablo Honey?

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Daquilo que tenho lembrança, meu primeiro contato com Radiohead anos e anos atrás, foi com Creep. Desde então, essa é uma das minhas músicas na vida. Sad but true. É por causa disso que eu sempre associei, erroneamente, o sucesso da banda ao álbum Pablo Honey. Soltou um “sabe de nada, inocente” aí?

Pois é. Dos oito álbuns de estúdio, a banda liderada por Thom Yorke tem seis na lista dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Advinha qual não está lá? Pablo Honey (e The King Of Limbs).

Assim, estaria fugindo à minha proposta para a coluna se decidisse falar do álbum de estreia do Radiohead aqui. O mais provável, então, seria falar de OK Computer: o responsável por projetar e dar fama internacional à banda.Acontece que se o meu queridinho não estará aqui, o queridinho da maioria (?) também não.

Seguindo a linha da semana passada, estou fugindo da minha zona de conforto e abrindo espaço, mais uma vez, para as influências eletrônicas. Por isso, a coluna de hoje é sobre Kid A, o quarto álbum de estúdio, criado após o breve período em que o Radiohead esteve afastado dos holofotes, depois de sair pelo mundo com a turnê de um dos melhores álbuns de todos os tempos.

Quis o destino que superar um quase fim não fosse o único problema a ser enfrentado pelos meninos da Rainha. Thom York vivia um bloqueio criativo para escrever e as circunstâncias levaram a banda a decidir por uma nova direção musical. Estava ele, o destino, dando ao Radiohead a chance de uma das coisas mais incríveis que um artista pode fazer: experimentar.

Pode ser difícil para nós, fãs, aceitar mudanças no estilo musical das bandas que gostamos. É como se arriscassem estragar tudo aquilo que nós gostamos em nome das necessidades artísticas deles. Que absurdo, não?! </sarcastic>

Eu apoio experimentações – e aprendi isso com o semideus Bowie -, mas sei que não são todos os artistas que conseguem ser bem-sucedidos nessa empreitada. Felizmente, Kid A deu tão certo que rendeu ao Radiohead mais um Grammy, o de Melhor Álbum Alternativo.

A banda escolheu não lançar singles, mas Optimistic e Idiotique apareceram como “promos” nas rádios. Uma diferença que, provavelmente, nem faz mais sentido nesse nosso tempo em que a internet reina quase soberana… Voltando às músicas, entre as duas, Optimistic me agrada mais, provavelmente por estar mais dentro da minha zona de conforto. Por outro lado, Idiotique é melhor exemplo das influências eletrônicas que citei e cumpre bem seu papel de me atrair para esse outro lado.

how to disappear

Minhas favoritas do álbum são In Limbo e How To Disappear Complety, cujo refrão “I’m not here, this isn’t happening” foi inspirado em um conselho que Yorke recebeu do queridão Michael Stipe, do R.E.M, sobre como se livrar do estresse das turnês.

Para fechar, vale Motion Picture Soundtrack, que me causa um desconforto interessante, sobretudo por ser o desfecho do álbum (faixa oculta inclusa). Para mim, não tem “cara” de fim e pode ser que isso faça sentido, já que a banda produziu músicas o suficiente para um segundo álbum, o Amnesiac, lançado em 2001.

É isso! Em um texto, quatro álbuns do Radiohead, três na lista guia do que ouvir antes de morrer e uma sugestão a você, leitor: apertar o play!

***

Leia Mais:

A última Yellow Sounds, sobre “Technique” (1989), do New Order.

A Yellow Sounds sobre um álbum da PJ Harvey, parceira recorrente do Thom Yorke.

David Bowie: “★” (2016)

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Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

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Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.