Yellow Sounds #21 – Âmbar (1996)

Da Passarela do Samba para a Yellow Sounds: Viva Bethânia!

âmbar

Todo Carnaval tem seu fim e, para muitos, esse momento chega com a apuração dos desfiles das escolas de samba. Primeiro vem São Paulo – e venceu a Império de Casa Verde – e depois vem Rio. Lá, venceu Mangueira com um samba-enredo em homenagem os 50 anos de carreira de Maria Bethânia.

Abelha Rainha da MPB, Menina dos Olhos de Oyá, Bethânia é uma das poucas figuras brasileiras a aparecer na lista dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Verdade seja dita, proporcionalmente, nossos representantes não são poucos. Mas nada tira a relevância desse feito, sobretudo quando a concepção do livro é gringa. Sobretudo quando nós nem sempre valorizamos esses artistas…

Isso é assunto para outro post. O foco aqui é Âmbar que, apesar de genuinamente brasileiro, nasceu universal. Foi gravado e mixado em sete estúdios, passando pelos Estados Unidos, Inglaterra e Holanda. Além, claro, do próprio Brasil.

Nele, Bethânia, canta músicas de diversos compositores brasileiros e, também por isso, reforço minha indicação. Âmbar está na voz de um dos grandes ícones da MPB e tem o dedo de outros tantos.

A música que abre o disco e leva o mesmo nome foi composta por Adriana Calcanhoto. Na sequência, aparece Chão de Estrelas, um clássico de 1937, por Silvio Quadros e Orestes Barbosa. Lua Vermelha é de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown e Eterno em Mim do irmão Caetano Veloso.

Caetano, inclusive, estava no desfile da Mangueira junto com várias outras personalidades, como é de costume no Carnaval das escolas de samba. No enredo, em meio à memória dos sucessos e shows de Bethânia, destaque para a religiosidade da cantora. Tema que também está presente em Âmbar, nas canções Invocação e Ave Maria.

bethânia

Eu nunca havia ouvido esse álbum inteiro – até ontem, quando tive a ideia de trazê-lo para a coluna. Se você está no mesmo barco, pode colocar para tocar sem medo. Responsável pela renovação do repertório da baiana, Âmbar é leve e merece ser ouvido ao menos uma vez!

________________________________________________________________________________________

Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

 

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.