Yellow Sounds #18 – Here’s Little Richard (1957)

“Little Richard. Se não tivesse sido por ele, eu provavelmente não teria ido para a música”

David Bowie

Here-s-Little-Richard-cover.jpg

O post de hoje é sobre David Bowie e não é. É sobre Little Richard. O homem que fez Bowie, aos nove anos, decidir que gostaria de fazer música. Mais do que nunca, sou muito grata por isso.

O Camaleão do Rock, nossa eterna Blackstar, caiu aqui na Terra para fazer arte e buscou isso por meio da pintura, do teatro, do cinema. Permaneceu na música porque nela encontrou a melhor forma de se comunicar conosco e, segundo ele próprio, isso aconteceu em razão de Little Richard e seus saxofonistas.

Mal sabiam eles que estavam apresentando ao ainda bem jovem David Robert Jones o caminho para cumprir sua incrível missão de nos fazer valorizar o diferente, buscar o novo e, sobretudo, não nos conformar jamais.

“O artista é, acima de tudo, um inconformado. Não segue a corrente, mas luta contra ela. É um visionário, que almeja dar à sociedade onde vive um enfoque que nem ela consegue, ainda ver.*”

Here’s Little Richard é o álbum de estreia do americano – cantor, compositor e pianista. Tutti Frutti é a música de abertura e, possivelmente, a mais famosa de toda a sua carreira. Foi a partir dela que Bowie disse estar “ouvindo a voz de Deus”. Seria um chamado divino?

O gospel faz parte do estilo único de Little Richard que nos apresenta um rock com a pegada  dançante do boogie-woggie e R&B. Como é de se esperar, o álbum todo traz essa energia contagiante. Vale destacar Long Tall Sally e Jenny Jenny, os singles de maior sucesso.

little and david

O que eu espero, hoje, é me deixar influenciar por essa alegria, dividindo essa possibilidade com cada leitor, sejam vocês fãs de Bowie precisando disso tanto quanto eu ou não. Isso porque, de certa forma, relembrar e conhecer o ponto de partida de um ídolo é colocar em perspectiva toda a sua trajetória, encarando a realidade de que seu legado jamais terá fim.

Bowie foi influenciado por vários e influenciou ainda mais. Tanto que talvez jamais saibamos identificar todas as marcas que ele nos deixou. Assim são os grandes, eternos e transcendentais. Estão em todo lugar.

Voltando para o lugar de onde veio, Bowie se tornou, para sempre, uma das estrelas mais reluzentes e singulares dos céus desse universo. E seu brilho vai continuar nos iluminando, inspirando nossa sociedade, nossas músicas e nossas artes. Aonde quer que esteja, David Bowie é vida.

Obrigada por apontar o caminho, Little Richard. Obrigada por tudo, querido David.

 

*Fonte: Pitoresco.

________________________________________________________________________________________

Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

The following two tabs change content below.

erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.