Yellow Sounds #14 – John Lennon/Plastic Ono Band

“I don’t believe in the Beatles”

81f2DLVCzJL._SL1300_

Ainda nesta semana, os fãs de John Lennon recordaram sua morte, que aconteceu há 35 anos. Fiquei pensando sobre o tempo em que passei tentando ignorar os Beatles – e, consequentemente, o trabalho solo de John – por achar que não estava preparada para essa unanimidade mundial.

De fato, não estava. Demorei a aceitar que não só conhecia como também curtia algumas das músicas do quarteto. Mas, não fui muito além disso. Hoje, reconheço o legado da banda e sua importância inclusive para artistas que eu gosto bastante. E só. Resolvi, porém, dar uma chance extra ao John, o dono de uma das músicas mais icônicas do planeta.

Aí você deve estar se perguntando porque não escolhi logo falar do álbum Imagine (e sim, ele também está na lista dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”) e a resposta é simples: foi John Lennon/Plastic Ono Band que me fez gostar mais do Beatle.

Some of the 50 000 persons express their

John Lennon fans, 14 December 1980, Manhattan, New York

O primeiro álbum de John após a separação oficial dos Beatles é fruto da banda formada com sua esposa Yoko Ono (ela lançou seu próprio álbum, intitulado Yoko Ono/Plastic Ono Band). E, para muitos, esse é o melhor trabalho solo de Lennon.

Por algum motivo, me chamou a atenção que o álbum não chegue aos 40 min de duração, com suas 11 faixas. Em pouco tempo, John foi eficiente ao passar sua mensagem que, by the way, é resultado de algumas semanas de terapia, realizada para que o músico tentasse superar alguns traumas de infância.

Como se ainda estivesse no divã, John fala da perda da mãe, das desilusões com Deus, outros deuses e o mundo quase todo. Não deu pra Buddah, nem pro Elvis e nem pros Bealtles. “O sonho acabou” e John só acredita em si mesmo (e na Yoko. Viva Yoko!)

haters

John Lennon/Plastic Ono Band me fez gostar mais de John por empatia. Foram essas músicas que me fizeram criar uma visão mais gente como a gente dele. Enxergar que, por trás de toda a genialidade, existia um ser humano normal, com problemas, dores e desilusões.

Como haveria de ser, John Lennon transformou dor em poesia, com maestria. Amanhã, 11 de dezembro de 2015, o álbum completa 45 anos e merece ser celebrado. Não deixe de ouvir! 🙂

________________________________________________________________________________________

Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

The following two tabs change content below.

erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.