Yellow Sounds #10 – At Newport 1960 (1960)

Seria o blues um sentimento?

When I feel blue, I feel the blues |(Quando me sinto blue, eu sinto o blues).
Even when I don’t feel blue, I feel the blues | (Mesmo quando eu não me sinto blue, eu sinto o blues).

MuddywatersnewportQuando falei do blues aqui pela primeira vez, disse que o blues se vive e se sente. E a coluna Transversal desta semana tentou desvendar o que é estar feeling blue (ou se “sentindo azul”).

Se sentir blue não é algo muito bom e a verdade é que ouvir o blues pode te ajudar a sair dessa. Pensando nisso, indico o som do carismático Muddy Waters. Por vezes, o blues me soou carregado de melancolia, de dor escondida atrás de sorrisos. Muddy, talvez, foi quem melhor conseguiu me fazer sentir um lado genuinamente mais alegre.

muddy

At Newport 1960 está na lista dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Foi um dos primeiros álbuns de blues a ser gravado ao vivo e, se a informação está correta, completa 55 anos de lançamento neste domingo.

Álbuns ao vivo têm grande influência do público, e neste ouvimos um pouco das intervenções da plateia dançante. É fato, porém, que Muddy e sua banda não apenas ouviram, como viram e sentiram o efeito que o seu som causou naquelas pessoas, e o blues absorve isso – fazendo com que nós também sintamos.

Dentre as faixas, destaco três das mais famosas. I’m your hoochie choochie man (depois apenas Hoochie Choochie Man) apresenta um efeito do blues que pode ser sentido em outros álbuns ao vivo: o efeito da música nas mulheres. Muddy – e não só ele – atraáa muita atenção do público feminino (e de artistas de outros gêneros também).

He gonna make pretty women, jump an’ shout

(Ele vai fazer mulheres bonitas pularem e gritarem)

groupieMinha preferida é Baby, please don’t go porque é a que mais me deixa com vontade de dançar, enquanto a favorita do público talvez seja I’ve got my mojo working. A essa altura, é fato (assim espero) que todos já tenham deixado de se sentir blue, sabendo que, ainda assim, é possível curtir e sentir o blues.

Mesmo quando eu não me sinto blue, eu sinto o blues – e recomendo que vocês façam o mesmo!

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Lari Reis é jornalista, social media e viciada em música. Você pode (e deve) ver seus outros textos sobre música no seu longevo site Yellow Ever Shine e aqui no PontoJão semanalmente na coluna Yellow Sounds.

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Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.