X-Men: Apocalipse (2016)

“Tudo que eles construíram, irá cair. E das cinzas de seu mundo, construiremos um mundo melhor.”

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Título: X-Men: Apocalipse (“X-Men: Apocalypse)

Diretor: Bryan Singer

Ano: 2016

Pipocas: 5/10

Os mutantes chegaram nas telonas ainda um pouco ofuscados pelo brilho de Guerra Civil, e também por esse ser o terceiro filme de uma sequência apenas “ok”. Dito isso, vamos entrar na sala do cinema com as expectativas no lugar, apesar de um filme dos X-Men acender sempre uma esperança por grandes histórias, afinal de contas, o super grupo possui vários personagens interessantes e complexos. Assim, definitivamente, qualquer coisa com os X-Men tem bastante potencial. No caso específico de X-Men: Apocalipse, os personagens maravilhosos estão lá, porém esbarram, aqui e ali, em coisas que os impedem de conquistar os nossos corações de maneira arrebatadora.

O filme começa dez anos depois dos acontecimentos de Dias de um Futuro Esquecido, com os personagens levando suas vidas depois de terem seguido caminhos opostos: Professor Chales Xavier (James McAvoy) em sua escola para jovens dotados; Erik Lehnsherr, o Magneto (Michael Fassbender), isolado e se escondendo na Polônia, vivendo com sua esposa e filha; e, por fim, Raven, a Mística (Jennifer Lawrence) andando pelo mundo e ajudando mutantes, o que a tornou um símbolo de luta. Tudo vai muito bem até que, de uma maneira um tanto quanto acidental, En Sabah Nur é despertado de seu sono e começa a recrutar seus cavaleiros para retomar sua soberania na Terra e fazer com que os mutantes prevaleçam como a raça superior. O filme faz jus ao nome e tudo se desenrola e culmina em cenas realmente apocalípticas. A grandiloquência dos acontecimentos nos convence da seriedade da situação sem grandes problemas, entretanto, em diversos outros aspectos, a produção vai contar muito com sua boa vontade.

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Por si só, um personagem tão poderoso quanto o Apocalipse (Oscar Isaac) pode ter alguns entraves que, se não forem cuidados, podem gerar algumas inconsistências no roteiro. O primeiro mutante divide momentos de extremo poder com outros de uma vulnerabilidade esquisita. Oscar Isaac atua muito bem, mas, aqui e ali, o roteiro perde a mão, fazendo com que o personagem fique desequilibrado. Isso incomoda tanto quanto os pontuais “roteirismos”, termo para quando algo tem que acontecer e irá, mesmo que não haja lógica nem uma por trás disso. O fato é que, às vezes, parece que o roteirista não quis nem tentar te convencer do que está acontecendo. Ele simplesmente escreveu, e se a audiência aceitar, ótimo. Por fim, e como era de se esperar, tivemos um Wolverine completamente jogado, apenas para cumprir a cota do personagem. Não bastasse a total falta de justificativa para seu aparecimento, Hugh Jackman estrela uma cena de ação que acontece praticamente inteira fora da tela. E por falar em personagens abordados de qualquer forma, quanto perdemos com os Cavaleiros do Apocalipse, Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp), que, diferentemente de seu parceiro Magneto, apareceram apenas agora e, após introduzidos à trama, pouco fazem e falam.

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Em suma, o que X-Men: Apocalipse nos apresenta é um roteiro preguiçoso, que nem tenta fugir de alguns clichês e de algumas repetições, como a eventual queda de Erik para o lado negro enquanto Charles insiste em tentar trazê-lo de volta ou o uso de Mercúrio como alívio cômico (coisas que já vimos nos filmes anteriores). O filme também não se priva de usar desculpas esfarrapadas para seu desenvolvimento, como a Mística que não quer mais usar sua forma azul, e determinados acontecimentos simplesmente inexplicáveis. A intenção é que a partir do apocalipse, haja uma nova gênese e com X-Men as possibilidades são muitas, mas X-Men: Apocalipse pode deixar os fãs mais temerosos do que ansiosos pelo futuro (de um passado esquecido).

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