Primeiras Impressões – Westworld (2016)

Westworld estreou na HBO e, já com dois episódios, mostrou a que veio. A série, que conta a história de um parque temático que remonta o Velho Oeste com robôs idênticos aos seres humanos feitos para atender a todos os desejos e vontades dos visitantes, chama atenção por vários motivos. O primeiro deles é que ela é baseada na obra homônima de Michael Crichton, que também ganhou uma adaptação cinematográfica em 1973. Em seguida, o elenco é composto com nomes como Evan Rachel Wood, Anthony Hopkins e Rodrigo Santoro. Ainda falando das pessoas envolvidas em Westworld, não podemos esquecer de Jonathan Nolan (irmão de Christopher Nolan) dirigindo e escrevendo alguns episódios e J.J Abrams como produtor executivo.

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Com participação ativa do autor da obra original, que, vale lembra, escreveu também um certo Parque dos Dinossauros, é natural que a obra mantenha uma relação estreita com o seu lugar de origem, bem como o filme dos anos 70. É claro que muita coisa foi modernizada, principalmente quando falamos da tecnologia e da linguagem, mas grandes questionamentos universais a respeito de uma suposta essência humana e também dos limites da maldade e liberdade das pessoas continuam lá, dando a Westworld um conteúdo de muitíssima qualidade, capaz de abranger infindáveis discussões.

Westworld

Isso tudo, vale lembrar, faz referência a outras coisas, o que deixa a série com um espectro significativo ainda maior. Primeiramente, o próprio Parque dos Dinossauros e a forma como “a vida encontra um meio” quando o homem brinca de recriar uma coisa que já deixou de existir. Em seguida, temos na figura do Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), o criador, como ele mesmo e os robôs o identificam. O sobrenome dado ao personagem pode ser tanto uma referência à Henry Ford, responsável pelo fordismo e os movimentos de produção em série, quanto ao Ford de Admirável Mundo Novo (que é baseado no Ford da vida real), que produzia pessoas em escala industrial. Por fim, um último deleite que a Westworld proporciona a corações pós-modernos é a metanarrativa, pois estamos falando de robôs que seguem uma programação que nada mais é do que uma história escrita por alguém. Dessa forma temos uma história dentro da outra e elas, vez ou outra, se comunicam.

A conclusão é que esta adaptação moderniza um bom filme dos anos 70 enquanto explora muito bem uma temática que parece ficar cada dia mais atual. Como muitos têm apontado, nós também no PontoCast Extra,  Westworld pode sim ser a próxima galinha dos ovos de ouro da HBO, já que Game of Thrones se encaminha para o fim.

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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.