Resenha | Violet Evergarden (2018) e o desabrochar da empatia

“Violet Evergarden”, da Kyoto Animation, é um turbilhão de emoções aliado a uma das artes mais belas dos últimos anos. O desenho conta a história de “Violet Evergarden”, uma garota criada pelo exército para ser uma assassina sem sentimentos. Desorientada e sozinha, ao fim da guerra acaba trabalhando como uma “Autômata de Auto-Memórias” – mulheres especializadas em datilografar cartas e passar as emoções de seus clientes para palavras – enquanto busca entender o sentido das últimas palavras ditas a ela pelo seu supervisor: “Eu te amo”.

Inicialmente, a nossa relação com a protagonista parece ser um grande problema para série, afinal, para nos conectarmos com uma personagem, precisamos sentir o que ela sente ou ter passado por experiências semelhantes as dela. Violet é uma garota sem sentimentos ou empatia – e eu não tive que passar por experiências extremas numa guerra – portanto, como se identificar com uma personagem como ela? Com o tempo, esperando a violeta desabrochar.

No começo do anime temos uma Violet apática, sem qualquer reação ao testemunhar sentimentos que não sejam incredulidade e dúvidas. Mas a cada nova carta escrita por Violet, os inertes sentimentos dentro da garota começam a desabrochar. Assim, a protagonista que nada sentia começa a gradativamente compreender pessoas e emoções, em um episódio emocionalmente mais denso e complexo que outro, enquanto sem perceber, no mesmo ritmo, o telespectador começa a se conectar com a jovem autômata.

violet evergarden

Próximo ao final da série, quando a empatia finalmente desabrocha dentro da garota e ela compreende a extensão de todas as atrocidades que vivenciou na guerra, de todas as pessoas que perdeu, dos sentimentos de cada cliente, um gigante peso cai sobre os seus – e os nossos – ombros de uma vez. Violet desaba em lágrimas e nós também.

Entretanto, ao invés de apenas sofrer com o fardo, Violet abraça seu passado, aprende com seus erros e agora, repleta de sentimentos, a jovem segue sua vida, decidida de que nunca mais cartas que deveriam ser escritas se perderão para sempre em palavras não ditas. Assim, a Kyoto Animation mais uma vez dá uma aula de animação, amor e planta mais uma flor dentro dos nosso corações.

 


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