Vingadores – A Era de Ultron (2015)

“Eu sei que são boas pessoas. Sei que têm boas intenções. Mas vocês não pensaram além. Só há um caminho para a paz… Seu extermínio.”

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Título: Vingadores – A Era de Ultron (“Avengers – Age of Ultron”)

Diretor: Joss Whedon

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

É sempre complicado lidar com expectativas. Estas são criaturinhas difíceis de conter; uma vez instalados dentro de nós, cada imagem, cada som, cada referência te leva de volta ao que você tenta fugir – e ela se torna uma ideia fixa, e antes um argueiro ou uma trave no olho do que uma ideia fixa. Quando a expectativa se assoma demais, pode ocorrer do material final, mesmo sendo bom, se mostrar aquém do que esperava-se, apenas porque se esperava demais. Então desde já te tranquilizo: não se preocupe, “Vingadores – A Era de Ultron” não vai te decepcionar.

A mais nova peça do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, em inglês) traz todos os herois que você já conhece novamente unidos, agora para enfrentar a ameaça presente na figura de Ultron (James Spader), uma máquina com inteligência artificial construída por Tony Stark com o propósito de trazer paz ao mundo – mas que, como Exterminador do Futuro já tinha nos ensinado décadas atrás, percebe que a paz só seria alcançável sem os Vingadores, e sem os humanos.

Quando eu digo “todos os herois que você já conhece” não é eufemismo. De Rhodes e sua Máquina de Combate até o Falcão Sam Wilson – e outros ex-agentes da S.H.I.E.L.D. -, a galera toda se reuniu em diversas cenas, salvando o mundo ou dividindo drinques. É difícil não pensar na cena da festa no início do filme como uma grande celebração do sucesso dos filmes da Marvel Studios até agora.

E é uma celebração merecida, principalmente considerando que “Vingadores 2” é um case único na industria cinematográfica: é impossível compará-lo porque não temos nenhum caso semelhante como base para tal. Assim sendo, nos resta comparar o segundo filme ao primeiro, e a conclusão é simples: ser Vingador na Era de Ultron é bem melhor, apesar de… Bem, Ultron ser uma máquina ególatra genocida.

Este filme é tão cheio de ação e aventura e divertido quanto o seu antecessor direto, com a vantagem de se dedicar a um aprofundamento de todos os personagens em cena, o que é uma pretensão louvável e uma conquista invejável.

As piadas são menos gratuitas, os dramas soam mais reais e os conflitos são mais interessantes. Já convivendo há mais tempo, os Vingadores passam menos tempo brigando entre si e dedicam-se a resolver questões próprias levantadas pelos conflitos de escala global que são apresentados em cena.

O melhor desenvolvimento dos personagens torna a trama mais sólida e, ao contrário do primeiro filme, os riscos parecem mais reais e palpáveis. Essa valorização exponencial dos protagonistas – e a equiparação do tempo de tela de cada um – realça mais uma vez a habilidade de Joss Whedon de lidar com várias tramas principais simultaneamente.

Esse aprofundamento dos nossos herois é tão bem feito que o afastamento deles da equipe, cedendo espaço para os novos membros, parece natural e esperado. Algo realmente único de se ver numa saga com tantos filmes e tantos bilhões de dólares.

São poucos os problemas do filme. Os irmãos Wanda e Pietro Maximoff (também conhecidos como Feiticeira Escarlate e Mercúrio) passam grande parte do filme deslocados de seu contexto, principalmente graças a total falta de carisma de Aaron Taylor-Johnson (que depois de ser insosso em “Godzilla” (2014) veio ser insosso aqui também). Além disso, ainda em comparação com o primeiro “Vingadores”, a força e empatia causadas pelo vilão Ultron, em comparação com Loki, dissipam no ar e perdem imponência ao longo da projeção – embora, sendo justo, qualquer vilão perde em comparação ao Loki. A última crítica digna de nota está no fato de que “Homem de Ferro 3” é sumariamente ignorado neste filme, o que seria um problema maior se “Homem de Ferro 3” fosse bom; não sendo, só gera um desconforto.

“Vingadores – A Era de Ultron” tem 2 horas e 20 minutos de ação, aventura e humor – tanto quanto qualquer filme do Marvel Studios -, mas supera seus semelhantes a dedicar um bom tempo de tela tecendo analogias interessantes e aprofundando seus personagens. Se a Marvel antes não conseguiu defender o primeiro filme, neste segundo ela com certeza o vingou.

Obs.: Só há uma cena no meio dos créditos, nada depois. Acredite, eu esperei.

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***SPOILERS SPOILERS SPOILERS***

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O Visão é, definitivamente, um dos personagens mais incríveis, interessantes e ricos do Universo Marvel, mesmo com seus poucos minutos em tela; no outro extremo do espectro, quase bati palma quando o Mercúrio é metralhado.

E mencionam Wakanda diretamente! E aparece o Klaw! E não, não tem a Capitã Marvel. Mas ainda assim, amigos: está começando a Fase 3!

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.