Venom (2016-atual): quando o vilão se torna bom e o demônio é o ser humano

Venom já é conhecido do grande público há algum tempo; se não pelos desenhos e quadrinhos e ilustrações, certamente pelo filme “Homem-Aranha 3”, no qual o simbionte transformou Peter Parker num rapaz que ouvia My Chemical Romance demais. Os anos nos alcançaram, e a nova série do parasita alienígena estreou em 2016 com uma proposta diferente: com um Venom restaurado, seria um ser humano o suficiente para fazer com que ele se voltasse para o mal de novo?

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A carreira de Venom tem sido bem movimentada. Começando como um acessório de moda e raiva para Peter Parker, Venom já foi um supervilão, já lutou contra seu spin-off, Carnificina, já tentou ser heroi e, recentemente, fez parte dos Guardiões da Galáxia, protegendo o cosmo de diversas forças terríveis. Agora, de volta à Terra e separado de seu hospedeiro de longa data, Flash Thompson, Venom vaga de pessoa a pessoa, buscando alguém que possa recebê-lo permanentemente, sem sucesso.

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Agente Venom nos Guardiões da Galáxia

Enquanto isso, conhecemos Lee Price, um ex-soldado que perdeu uns dedos na guerra em uma explosão e que agora tem dedo nervoso no gatilho. Price, para pagar as contas, aceita um trabalho escuso para mafiosos locais que promete não envolver morte – até que os mafiosos se recusam a pagar pelo serviço. Claro que é bem nessa hora que Venom esbarra com Price, encontrando nele um hospedeiro ideal.

E é aqui que a virada da HQ acontece e torna a história mais interessante: Price é um psicótico traumatizado e violento, que faz e destroi o que for necessário para conseguir o que quer, enquanto Venom, o parasita cósmico, só quer alguém de moral, fibra e boa consciência para usar seus poderes em bons propósitos. É uma mistura interessante e uma torcida de conceito curiosa que funciona: Price utiliza seus traumas infantis e toda a desgraça que enfrentou quando era criança para silenciar a voz de Venom em sua mente e controlar os poderes do simbionte.

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Dentro desse contexto, temos um dos maiores rivais do Homem-Aranha tentando ser o mocinho enquanto um ser humano, com a força da sua tristeza, consegue liberar o seu potencial para a crueldade e a satisfação de suas vontades egoístas. É aí que entra a violência gráfica da HQ: sangue e mutilações nos lembram que esta revista não é para crianças.

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A nova série do Venom finaliza este arco após seis edições com uma promessa que ficou maior do que os desdobramentos, especialmente graças ao número limitado de edições que recebeu. Ainda assim, o arco vale a pena e é uma virada interessante na história do simbionte espacial. Um momento bom para um personagem que já sofreu tanto, principalmente com franjas e danças constrangedoras em público.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.