Valerian (2017) e a cidade que o Luc Besson sonhou

O que se pode tirar de um projeto extremamente caro e ambicioso, dirigido e escrito por Luc Besson, um dos caras mais visionários que a indústria cinematográfica já nos apresentou e que trabalha em cima de uma fonte rica e muito adorada na Europa – ainda por cima sendo um fã declarado dessas histórias? “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, adaptado das histórias de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, traz exatamente a visão de alguém que cresceu, viveu e amou essas aventuras e que carregou no coração por anos o desejo de compartilhar isso com todos aqueles que não tiveram esse contato. Essa paixão vem para encontrar eco seja na época de sua infância ou com uma geração nova e que adora um bom filme baseado em HQs, e que poderia, assim como seu autor, encontrar alegria nessas histórias.

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Título: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (“Valerian and the City of a Thousand Planets“)

Diretor: Luc Besson

Ano: 2017

Pipocas: 7/10

Só por isso já podemos dizer que é um baita projeto, e realmente é! Partindo do seu visual belíssimo que mostra o quão grande foi o investimento nesse filme até a forma como todo esse universo é retratado, “Valerian” é uma peça artística incrível. A diversidade da cidade de Alpha, todas as civilizações que vivem ali e todas as ideias e conceitos trazem originalidade para a obra na qual o longe foi inspirado. Mas infelizmente toda essa paixão não foi capaz de suprir as necessidades que o filme teria no seu lançamento.

Primeiro obstáculo: a bilheteria. Bem, partindo do ponto que eu invisto minha grana em um projeto, eu espero um lucro vindo dele, e infelizmente a resposta desse lucro não chegou da forma como se esperava. Com um orçamento beirando os 200 milhões de dólares e uma arrecadação que só chegou até os 225 milhões em todo o mundo, podemos dizer que o filme não atingiu bem o seu público (risos nervosos), o que acabou sendo uma triste notícia para quem esperava que “Valerian” ganhasse reconhecimento e um espaço garantido no coração de novas pessoas.

Segundo obstáculo: o próprio Valerian. Se formos olhar para o elenco de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” vemos alguns nomes até bem conhecidos, principalmente no seu casal principal. Dane DeHaan (“Poder Sem Limites”, “A Cura”) e Cara Delevigne (“Cidades de Papel”, “Esquadrão Suicida”) foram os escolhidos para darem vida aos protagonistas e almas dessa história, Valerian e Laureline, respectivamente. Mas é no casal que encontramos um dos maiores problemas do filme que é a química entre eles. Eles são esforçados e isso fica evidente em algumas partes do filme, mas no geral os diálogos deles sempre estão voltados para uma temática romântica que não parece tão verdadeira, e a forma unidimensional como eles são retratados na maioria do tempo também acaba atrapalhando. Contudo, aqui chegamos a um ponto que ao meu ver dificulta bastante o relacionamento com o personagem: Dane DeHaan foi uma escolha errada!

Como já mencionei aqui antes, ele é um ator muito esforçado, sempre tendo destaque positivo na maioria dos projetos dele como, mas ele simplesmente não encaixa como Valerian. Ele não passa a mesma presença do personagem e é difícil em alguns momentos acreditar que ele é aquilo que mostra no filme, sem falar que uma ou outra cena com diálogos fracos acabam dando um empurrãozinho para isso. Ele é um bom ator, só não é um bom Valerian. Já Cara surpreende com seu carisma e acaba roubando a cena, mesmo não tendo seu nome no título do filme.

Dentre outros problemas do filme podemos citar a perda de ritmo na metade do filme quando a cena da Rihanna começa e por acabar não entregando uma história tão inovadora, mesmo tendo muito potencial para isso. Ainda assim o filme se segura bem, se mostrando uma aventura bastante competente em trazer uma construção de universo que é sem dúvidas extremamente rica e de encher os olhos, gerando interesse em saber o que mais pode ser contado e mostrado em uma futura história – que recentemente nos deu forte indícios que poderá sim acontecer (obrigado, Luc, seu lindo!).

E enfim, o veredito: com um baita visual, conteúdo para ser explorado e com efeitos especiais muito bons, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é colorido, cheio de graça, espírito e sem dúvidas uma aventura boa de acompanhar, mesmo parecendo um pouco mais longa do que poderia ser. Seja como for, Luc Besson nos entrega, mais uma vez, uma muito competente direção e visão de um diretor que, muito mais do que só entreter, trouxe um pouco mais dele mesmo para as telas.

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Jardas é PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.

 

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.