Vai que Cola! (2015)

HARK!

Título: Vai Que Cola

Diretor: César Rodrigues

Ano: 2015

Pipocas: 7/10

A telecomédia “Vai que Cola”, estrelando o humorista Paulo Gustavo (Minha Mãe é uma Peça) como o personagem principal Valdomiro, foi transportado para as telonas esse ano. Dirigido por César Rodrigues, a premissa do filme é mostrada através de um flashback (em forma de pesadelo) em que Valdomiro foi enganado por Andrada (Márcio Kieling) assinando papéis de sociedade em uma empresa. Ele estava sendo feito de laranja para os crimes corporativos em nome da firma, e acaba perdendo todos os seus bens, dentre os mais importantes, muito dinheiro e uma cobertura no Leblon. Assim sendo, Valdo é obrigado a ir morar na zona norte do Rio de Janeiro, no Meyer. 

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A primeira parte do filme é usada para apresentar os personagens e a máxima de que o Leblon é perfeito e o Meyer infernal, onde o refugo da sociedade pobre mora. Isso cria a primeira curva da barriga do filme. Essa dicotomia entre os bairros pode não ser tão interessante para quem desconhece ao menos a diferenciação que os cariocas fazem entre a zona sul e a zona norte da cidade. Além disso, a história simplesmente não se desenvolve nos primeiros trinta minutos de filme e a construção dos personagens não é nada original, sendo eles todos caricaturas já conhecidas de tantos outros sitcoms da nossa produção televisa: o casal que briga mas fica junto, a bicha louca e espalhafatosa cheia de bordões, a mulher que usa roupas de banho em todas as cenas, o faz-tudo da turma e o personagem essencialmente simpático. O filme não nega (e não se esforça em negar) suas raízes de esteriótipos cristalizados no meio televisivo.

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adivinhem que foi escolhida para o papel ‘bikini all movie long’?

Apesar dessa falta de compromisso em trazer algo novo em termos de personagens, há um detalhe que chama a atenção em termos narrativos, já desde o início do filme. A já citada primeira curva da barriga do filme acaba quando o personagem principal diz “agora vai começar a traminha do filme”. Em diversos momentos, a linha que separa Valdomiro (personagem) de Paulo Gustavo (ator) simplesmente desaparece (bem como a quarta parede), e o roteiro é traspassado por vários comentários do ator, dando vida a uma metalinguagem narrativa que cria um humor interessante, que quase sempre traz elementos extra-roteirísticos pra baila. Esse, talvez, o ponto mais acertado do filme.

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A segunda barriga do filme é o final que conclui o que já havia sido concluído na penúltima cena (muito mais relevante para a história). Ainda assim, não posso mentir que no geral deu pra rir bastante e que recomendaria esse filme para quem quisesse assistir uma comédia leve e sem muitas pretensões de ser qualquer coisa.

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