Segundas Impressões #19: V de Vingança (2005)

Quando lançado, em 2005, V de Vingança (filme) teve reações mistas. Enquanto algumas pessoas o enxergaram como uma adaptação que, apesar de limitava, estava à altura da obra original, um clássico absoluto das HQs (leia aqui), outros viram um filme fraco, focado numa mensagem completamente diferente do que havia sido apresentado originalmente. Até hoje, o que se comenta sobre o filme é que, apesar de não entrar para o panteão de filmes indispensáveis, dificilmente irrita ou representa alguma espécie de perda de tempo.

V de Vingança (2005)

 

Com isso em mente, vamos a dois momentos diferentes em que eu assisti V de Vingança e as impressões diferentes que me foram passadas.

Primeiras Impressões de V de Vingança

Certamente, à primeira vista, o filme foi confuso. Era complicado ver algo que se assemelhava tanto às histórias de super-herói, possivelmente pela origem ‘quadrinística’ do personagem, mas sem super poderes e com ideais tão pouco globais. Eu sou um leitor tardio de quadrinhos, confesso. O nome Vertigo só entrou no meu vocabulário muito tempo depois, até então era complicado entender do que se tratava a obra. Nesse caso, minha visão e compreensão não pôde entender V de Vingança de outra que não um filme de ação.

Ainda assim, era um filme que me interessa muito mais do que os outros exemplares do gênero a qual eu imaginava que ‘V’ pertencia – outra confissão, não gosto de filmes de ação. Então, durante muito tempo, a obra caiu num vão de coisas das quais eu não saberia dizer se tinha uma opinião formada. Outros adendos interessantes para as minhas impressões eram o fato de não saber algumas informações relevantes, entre elas, eu sequer fazia ideia de que existia uma história em quadrinhos a partir da qual o filme havia sido adaptado.

V de Vingança (2005)

O que Mudou?

Primeiramente, li o quadrinho. Isso já cria outra visão sobre o filme. E, ao contrário do que muita gente deve achar, a diferença não é apenas que um que seja melhor do que outro, mas que ambos batem em teclas diferentes por causa de uma palavrinha que faz toda a diferença: contexto. A compreensão dessa última informação também colabora muito para que hoje a visão que eu tenho do filme seja diferente. Então, indo aos fatos, a HQ que saiu entre os anos de 1988 e 1989, tem Alan Moore propondo um futuro distópico que estaria por acontecer em 1997, enquanto o filme, roteirizado pelas irmãs Wachowski também propõem uma distopia, mas em 2020.

V de Vingança (2005)

A diferença disso reside em quem, e o que, é contestado pela obra. Enquanto Moore ambientou sua história após uma guerra nuclear em que um governo fascista tomou o poder, algo que o autor projetou como consequência da Guerra Fria e do conservadorismo pelo qual a Inglaterra vinha passando com Margaret Thatcher enquanto primeira-ministra; Lilly e Lana puseram seu futuro distópico na consequência de uma manobra política que acabou culminando num governo fanático e autoritário. Para tal, muitas referências à supressão da pluralidade civil (minorias étnicas, religiosas, homossexuais, etc.) e ao desenvolvimento de armas biológicas e eventuais acidentes foram feitas. Naturalmente, elas eram críticas endereçadas  ao governo dos EUA da época, cujo presidente era George W. Bush. Assim, enquanto a HQ contrapõe anarquismo e fascismo, o filme é um embate entre o conservadorismo e o liberalismo americano ambientado na Inglaterra, o que, quando notado gera um certo incômodo.

Em suma, hoje consigo perceber melhor as diferenças de um para outro e entender as limitações do filme em relação ao quadrinho, que é bem mais profundo na sua mensagem e na forma como a transmite. Por fim, dá pra dizer que é um filme válido, apesar de muitas pessoas torcerem o nariz.

 

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Hippie com raiva.