Unbreakable Kimmy Schmidt – 3ª temporada (2017) (primeiras impressões sem spoilers)

“Unbreakable Kimmy Schmidt” é uma série tão estranha quanto ela poderia ser. Depois de ficar 15 anos sequestrada num bunker por um líder insano de uma seita apocalíptica, Kimmy (Ellie Kemper, de “The Office”) encontra um mundo bem diferente daquele que deixou para trás em meados dos anos 90. Chegando na terceira temporada, a série parece perder um pouco de seu ímpeto, embora continue com seu charme bizarro de sempre.

Após os eventos da última temporada, Kimmy precisa se desvencilhar de seu passado para conseguir seguir em frente, enquanto Titus Andromedon (Tituss Burgess) lida com a realidade de seu fracasso, Lillian (Carol Kane) luta contra a gentrificação de seu bairro, e Jacqueline White (Jane Krakowski, de “30 Rock“) tenta seguir com sua empreitada contra o Washington Redskins e seu nome racista.

unbreakable kimmy schmidt

Muito do mérito da série advém de seu clima que mistura o engraçado, o tosco e o estranho – normalmente chamado de quirky, em inglês -, presente direto da sua co-criadora, Tina Fey. A veterana de SNL e do cinema também foi criadora de “30 Rock”, uma série sobre os bastidores de um programa de comédia que extrapolava as situações ao ponto de ser, por vezes, surreal.

O mesmo aconteceu nas temporadas anteriores e no ano atual de “Unbreakable Kimmy Schmidt”: entre seus diálogos absurdos e cenários improváveis, a série eleva os traços caricatos de seus personagens ao ponto de torná-los incríveis, em todos os sentidos da palavra.

unbreakable kimmy schmidt

Após assistir os quatro primeiros episódios, no entanto, cresce na série uma sensação de falta de propósito. Explorar “peixe fora d’água” é uma ferramenta natural para o humor por ser de fácil acesso – jogue alguém fora de seu contexto natural e veja como é divertida sua adaptação -, mas acaba sendo um recurso limitado. Kimmy já percorreu um longo caminho, e a própria maneira com que a série foi escrita na sua segunda temporada obrigou seus roteiristas a saírem dessa zona de conforto no terceiro ano.

O problema é que parece haver uma ausência de sentido no arco dos seus personagens – e não pelo quase surrealismo do programa. Se antes o começo-meio-fim de cada um estava bem desenhado desde o início e a diversão era ver o quão estranhos todos poderiam ser antes de chegarem ao seu destino, agora todos parecem meio perdidos; alguns momentos parecem ter saído de um desafio de “sabe o que seria louco se a gente fizesse?”, mas não parecem estar ali por uma razão.

unbreakable kimmy schmidt

Mesmo assim, “Unbreakable Kimmy Schmidt” permanece sendo uma série divertida e ainda mais descompromissada do que anteriormente, sendo capaz de te distrair e arrancar umas risadas ao longo de seus treze episódios de sua 3ª temporada – esta que, mesmo ainda boa, parece se encaminhar para ser a mais fraca até o momento. Kimmy pode ser inquebrável, mas não significa que não possa trincar.

The following two tabs change content below.

erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.