Uma Homenagem a Garth Ennis

Este texto começou como uma nova versão do “Virando um Adultinho“, mas acabei percebendo que tantos títulos eram de Garth Ennis, que preferi fazer um post especial para este lindo roteirista perturbado.

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Este maravilhoso homem, nascido na Irlanda do Norte, começou a roteirizar quando tinha 19 anos para um história que falava justamente sobre os problemas político-religiosos em Belfast e no resto de seu país. Fazendo sucesso com o tipo de história crua e cruel desde o início da carreira, Garth ganhou seu espaço rapidamente.

Dentro de seus títulos, sexo e violência geralmente estão presentes, mas não se enganem, Garth não usa estes elementos como forma mais fácil de vender seu produto. Ele é um mestre no que faz; sua descrição de violência para os artistas já os deixaram se questionando se eles realmente deveriam desenhar aquilo, mas todos viram que esses elementos na história têm um objetivo. Com muitos de seus títulos se passando em guerras, Garth tenta sempre destruir essa ideia heroica do americano destemido correndo pelo campo de batalha, lutando pela liberdade e bons costumes. Ele mostra como todo esse ambiente é feio, sujo, enfestado de medo e insanidade. Em muitos momentos de suas histórias, vemos personagens fazendo coisas inimagináveis, como estuprar mulheres com pernas quebradas no meio de uma guerra, matar uma criança deformada por ter visto uma cena de zoofilia, membros sendo decepados em meio de saraivadas de tiros e muito mais.

Já falamos de títulos dele algumas vezes aqui no PontoJão, como Justiceiro: Nascido Para Matar (2003) e Preacher. Mas ele também participou de um dos arcos mais conhecidos e importantes de Hellblazer, Hábitos Perigosos.

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Aqui, John Constantine brilha em sua lábia e magia, num arco que gira em volta de seu vício em cigarro e o que ele lhe causa, mas existe muito mais dentro da história.

Garth também participou em alguns arcos de Justiceiro, inclusive um dos mais famosos: Justiceiro Massacra o Universo Marvel. Acho que o título é auto-explicável.

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Além de vários títulos relacionados com guerra como War Stories, Battlefields, Weird War Tales e muitas outras.

Às vezes as histórias e seus conceitos são até piores que as imagens retratadas nos quadrinhos. E é por isso que ele é tão aclamado, quebrando tabus, destruindo a imagem de heróis e sociedades. Ele mostra o feio de nosso mundo, e é bom que tenhamos autores como ele para nos mostrar coisas assim. Leiam Garth Ennis, vejam como a vida é de verdade, ou não. Definitivamente não são histórias para menores de 18 anos, para os maiores eu apenas lhes desejo uma boa leitura.

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Leia Também:

Garth também está indo para a telinha Primeiras Impressões: Preacher (2016)

Se quiser voltar para coisas mais lights Primeiras Impressões: Lando

Ou continuar na loucura Batman- A Morte da Família (2012-2013)

 

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caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras