Solo (2018) e as decisões para criar “uma história Star Wars”

“Solo: Uma História Star Wars” finalmente está entre nós – mesmo muita gente não querendo – e fez uma estreia marcada por um misto de animação, decepção e indiferença, que acabou por fazer muitas pessoas pularem as sessões e escolherem por ver – ou rever – quaisquer outros filmes que estavam em cartaz. Até aí poderíamos julgar que esta foi uma experiência como diversas outras já existentes no mundo do cinema, mas existe um porém e ele está logo no final do seu título.

Uma História Star Wars

Por trás das câmeras muito ruído foi ouvido e compartilhado. Desde a contratação de um professor de atuação para o protagonista que daria uma face mais jovial a Han Solo, Alden Ehrenreich (Ave, César), até a demissão de dois grandes nomes em intensa ascensão, os diretores Phill Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego), passando assim a direção para Ron Howard, que assumiu a produção que já tinha bem mais da metade do filme gravado. Mas lembrando que esse fato não foi uma exclusividade de “Solo”, visto que “Rogue One: Uma História Star Wars” também passou por alguns problemas semelhantes e também entrou em intensas refilmagens.

Mesmo enfrentando esses problemas, o primeiro spin-off de Star Wars fez, no final do ano de 2016, mais de 1 bilhão de dólares de bilheteria e conseguiu agradar tanto a crítica quanto boa parte do público, abrindo, assim, espaço para os futuros projetos que Kathleen Kennedy e toda a trupe envolvida estavam desenvolvendo. Seguindo uma fórmula que parecia funcionar e tentando ao mesmo tempo trazer inovação, esse universo compartilhado poderia dar super certo, até porque dentro da própria Disney, que é dona da LucasFilm, já existe um bom histórico para isso.

A grande questão é: “Solo: Uma História Star Wars” não fez o sucesso que Rogue One fez, principalmente fora dos EUA, e não vai render muitos frutos positivos para o estúdio. Muitas gente fala que a Disney pode até estar acostumada em ter um fracasso comercial em um ano, tendo em vista que, somando os números de bilheteria atuais dos últimos dois filmes da Marvel Studios, a casa do Mickey já teria conseguido mais de três bilhões de dólares. Só que o problema não está somente nas arrecadações e sim no nome da franquia.

Em dezembro do ano passado, “Star Wars: Os Últimos Jedi” alcançou ótimos números e críticas bem positivas, mantendo a nova franquia viva e despertando o interesse para contemplar o seu desfecho. Só que muitos fãs – em boa parte mais antigos da franquia, mas sempre com suas exceções – rejeitaram diversos aspectos apresentados no filme. Houve uma verdadeira divisão com o episódio VIII e com as escolhas de Ryan Johnson que fizeram muitos questionarem qual seria o caminho que a franquia como um todo estaria tomando e quais seriam as propostas da LucasFilm para o seu futuro.

Tendo em vista isso, acrescentamos o fato de que nem todo mundo estava realmente desejando ver um filme do Han Solo. Ele sempre teve muita histórias em seu passado e carregava sua fama muito bem. Alguns detalhes e situações deixadas no escuro ajudavam a construir quem o personagem era. A partir do momento em que esses detalhes e situações são mostrados eles podem gerar reações muito positivas ou a sensação de que não era preciso saber como algo aconteceu de fato para que ele se tornasse importante. E nisso o filme carrega parte dos seus erros. Muitas pessoas queriam até ver como Han conseguiu a Millenium Falcon das mãos de Lando, mas nem todo mundo precisava ver como ele ganhou “Solo” em seu nome.

Assim como em “Rogue One: Uma História Star Wars”, existia muita previsibilidade nos fatos, já que nós sabemos o que vai acontecer no futuro daqueles indivíduos, uma vez que já assistimos o filme que vem depois. Se a história realmente não tiver elementos que a tornem muito boa, ela servirá simplesmente como uma ponte que poderá se tornar desnecessária ou uma sequência de fan services que já foram feitos de outras formas em mídias diferente. Rogue One foi uma sacada boa com um final já escrito. Solo não foi uma sacada tão boa e também já tinha o seu final já escrito. Existe uma insistência atualmente em “expandir os universos”, mas, nesse caso, eles se recusam a contar novas histórias.

O filme chegou agora, com cinco meses depois da estreia do episódio VIII, juntando todas as questões levantadas anteriormente. Talvez o lançamento de “Solo” tenha se dado um pouco cedo. Talvez a concorrência tenha sufocado um pouco – Deadpool 2, que estreou na semana anterior ainda tinha seu fôlego. O marketing também poderia ser um dos culpados já que ele não pareceu ser tão convincente para atrair o seu público. Ou talvez sejam apenas essas sequências de problemas que transformaram a nova história Star Wars em uma parada duvidosa.

Se isso tudo influenciará nas próximas tomadas de decisão do estúdio sobre quais projetos anunciar, oficializar e investir, só o tempo dirá. Mas é bem certo que haverão sequelas. Até onde esse universo expandido vai, eu não sei dizer. Mas do jeito que está, talvez precise tomar um ar e refletir no que ele quer se tornar de verdade, sendo eles contos novos ou antigos. Histórias ocultas são boas quando realmente trazem alguma coisa com elas.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.