Comentário | Uma breve história dos Kamen Riders

No início dos anos 70, o artista Shōtarō Ishinomori havia criado um super-herói que se diferenciava dos gigantes como Ultraman e Spectreman, que eram bem comuns naquela época. Dessa vez, o herói era um cidadão comum que teve seu corpo modificado por uma organização criminosa chamada Shocker, transformando-o em um ciborgue com habilidades sobre-humanas. Ao fugir do laboratório dos vilões antes que efetuassem uma lavagem cerebral para transformá-lo numa marionete e sabendo de seus objetivos maléficos, o herói jurou combatê-la a todo custo para proteger o Japão e o mundo. Assim nasceu um dos maiores super-heróis japoneses, o Kamen Rider.

A primeira série foi uma verdadeira febre no Japão, rendendo 98 episódios, um marco inimaginável para os padrões atuais. Cheia de ação e aventura, a série contava com uma enorme quantidade de inimigos criativos, que representavam animais ou combinações de animais, e o carismático Hiroshi Fujioka, que interpretou o protagonista Takeshi Hongo. Esse ator é uma lenda viva japonesa, sendo lembrado por gerações pelos seus papeis de protagonista em “Kamen Rider”, de R0 em Tomica Hero Rescue Force e Segata Sanshiro, o garoto propaganda do videogame Sega Saturn.

Ichigo, Amazon, Nigo, Stronger, V3, X e Riderman

A franquia se destacou no universo tokusatsu por inovar bastante o design do herói a cada edição, mas mantendo algumas características para o público reconhecê-lo. Geralmente, eles seguiam a mesma narrativa (de um homem com corpo aprimorado tentando derrotar uma organização secreta), porém seus poderes se manifestavam de maneira diferente. Por exemplo, Kamen Rider Stronger era capaz de descarregar cargas elétricas, Skyrider podia voar, e o Kamen Rider Super-1 tinha luvas especiais que o permitiam congelar, incinerar ou eletrocutar os inimigos.

kamen rider
Kamen Rider Black (1987)

As séries terminaram com uma qualidade bem alta em 1989, através de Kamen Rider Black e Kamen Rider Black RX, as séries mais queridas pela maioria dos brasileiros – afinal, foram as únicas exibidas no Brasil. Logo em seguida, a franquia se distanciou um pouco das séries para se aventurar nas produções cinematográficas, dando origem a Shin Kamen Rider, Kamen Rider ZO e Kamen Rider J. Todas com uma pegada bem mais séria e chegando inclusive a transformar o herói em mutante ao invés do típico ciborgue de “armadura”. Em 1994, com a estreia do último filme, os motoqueiros mascarados entraram em hiato até 2000, pela estreia de Kamen Rider Kuuga e a promessa de revitalizar o espírito Kamen Rider.

Kuuga realmente surpreendeu o público seguindo a narrativa mais voltada ao drama e mesclando efeitos especiais práticos com os de computação gráfica. Além disso, não só apelava ao público infanto-juvenil como também aos fãs de longa data, que ansiavam por novas aventuras do seu herói favorito. O sucesso da série e das vendas de todos os produtos relacionados fez com que a produtora Toei investisse mais na franquia, iniciando um novo seriado após o outro de maneira ininterrupta, com a série atual sendo a 19ª desde a sua volta. Talvez a maior diferença das novas séries em relação às antigas sejam os temas abordados, que se distanciavam bastante da estrutura original. Agora, ao invés do herói ser um ciborgue que se assemelha a insetos, todos os tipos de temas são abrangidos como misticismos em Kamen Rider Agito, viagens no tempo em Kamen Rider Den-O; monstros clássicos em Kamen Rider Kiva ou medicina com videogames em Kamen Rider Ex-Aid.

Kamen Rider Gaim (2013)

Hoje, quase cinquenta anos após a estreia da primeira série, a franquia se mantém implacável em vendas. É atualmente a segunda franquia mais rentável em venda de brinquedos no território japonês para a Bandai Namco, atrás apenas de Gundam e logo acima de Dragon Ball, movimentando mais de US$200M por ano. Isso sem contar jogos e os filmes, cujo mais recente (Kamen Rider Build the Movie: Be The One) bateu o recorde de maior pré-venda da franquia dos últimos cinco anos.

Com altos e baixos – afinal, não é fácil manter uma qualidade impecável durante 30 temporadas -, a franquia se mantém estável na programação e chega constantemente a surpreender. Vamos torcer para que esses motoqueiros mascarados continuem a nos proteger, vender bonecos e alegrar meus finais de semanas por muitos mais anos.

 


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