Um Bonde Chamado Desejo

“Morte: o oposto de desejo.”
Título: Um Bonde Chamado Desejo (“A Streetcar Named Desire”)
Ano: Peça 1947/Filme 1951
Autor da peça: Tenessee Williams
Diretor do Filme: Elia Kazan
Filme: 10/10
 

Escrito para ser uma peça, que estreou na Broadway em 3 de dezembro de 1947 (se mantendo até 17 de dezembro de 1949), A Streetcar Named Desire (Um Bonde Chamado Desejo) foi escrito por Tenesse Willians e adaptado para o cinema em 1951, com direção de Elia Kazan. Desde o seu início, O Bonde, enquanto peça teatral e livro, mostra-se extremamente bem ambientalizado naquilo que se costuma chamar de “literatura marginal” e justamente por isso traz um plot de arrepiar os cabelos dos mais revolucionários autores de novelas globais com beijos lésbico sexagenários sem descer do salto artístico.

Numa noite qualquer de New Orleans, Blanche DuBois chega à casa da sua irmã de surpresa para um período de estadia lá. A “visita” se deve, segundo Blanche, ao fato de que ela teria perdido a propriedade rural da família no sul dos Estados Unidos depois da morte de seu marido, mas, na verdade ela teve problemas na escola onde dava aulas por ter se envolvido com um dos seus jovens alunos. Além disso, Blache havia ficado muito falada na cidade por causa de seus inúmeros e efêmeros relacionamentos, e esse era o verdadeiro motivo de visitar sua irmã. Blache é uma personagem extremamente carismática, bem construída e, portanto, complexa, sendo todas as suas questionáveis atitudes, não justificáveis, mas, justificadas pela sua trágica trajetória.

O elenco do filme é um show a parte, pois ele foi escolhido a partir dos elencos da peça apresentada na Broadway e na Inglaterra, sendo o núcleo principal, as irmãs DuBois, Blache e Stella (Vivien Leigh e Kim Hunter, respectivamente), o marido de Stella, Stanley Kowalsky (Marlon Brando) e o pretendente de Blache, Mitch (Karl Malden). Após ler a peça e por os olhos na tela para o filme, vemos encarnações perfeitas para os personagens das páginas em atuações realmente brilhantes de todos, mas com bastante destaque para um jovem e já tão espirituoso Brando e para uma Vivien Leigh que vai da falsa ingenuidade até o desvario total

A adaptação da peça para cinema é simplesmente incrível, contudo o fato de ter sido lançada nos anos 50 faz com que boa parte do plot seja subentendido. Nada é tirado, ou mudado, caso você leia a peça e depois veja o filme, é possível ver que todas as informações e nuances da estória estão lá, mas cenas que podem ser imaginadas enquanto lemos são apenas mencionadas rapidamente pelos personagens sem um flashback ou qualquer outro tipo de composição mais… gráfica, por assim dizer. Ainda assim, somente ler a peça, ou somente ver o filme, são duas experiências incríveis, mas fazer um e depois o outro é simplesmente brilhante.

 

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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.