O mundo está chato ou o novo Trapalhões é ruim mesmo?

Quando saíram notícias de que haveria um novo Trapalhões, o primeiro comentário geral foi de que o “humor deles não funcionaria nos tempos de hoje”, porque, afinal de contas, “o mundo está muito chato” e toda a tralha que falam do “politicamente correto“. Visto o primeiro episódio da nova série, ficou constatado que, de fato, o grupo não funciona, mas não pelos motivos que mais se esperava.

‘Cafuso’?, aguarde e confie! 

Novo Trapalhões

 

A princípio, se nos lembrarmos das ditas piadas que faziam sucesso antigamente, mas não poderiam ser ditas hoje, vamos nos deparar com um humor que mora no fato de o Mussum ser negro, na suposta homossexualidade de Dedé e, talvez em menor intensidade, os impropérios que se estendiam a toda a população cearense através de Didi. Contudo, ao pensarmos em algumas dessas piadas, vemos que a existência ou não delas não é realmente um problema para o novo Trapalhões. É claro, o que era racismo, homofobia e xenofobia, nos anos 80 e 90, sempre foi preconceito e, portanto, reprovável, mas agora, em geral, as pessoas estão mais aptas para não achar graça dessas piadas por dois motivos muito simples que vão além da ofensa, 1) esse tipo de humor é fácil e velho, portanto previsível e 2) essas tiradas não fazem sentido no sentido mais literal da expressão.

 

No caso do Dedé, é possível manter piadas com a questão da homossexualidade sem ofender os homossexuais. Um exemplo disso é pensarmos em como, à princípio, ele ocupa a posição de Don Juan, galante, bonitão, bem-quisto entre as mulheres. Esse é, inclusive, um campo mais produtivo para fazer piadas do que insinuações aleatórias ao fato de ele ser gay, como se isso, por si só, fosse motivo de graça.

Por fim, como Didi sempre foi o safo, o cara “feio” que fica com a mulher bonita, aquele que ninguém consegue dar uma volta, o homem que está voltando com o fubá, enquanto os outros estão indo com o milho, as piadas a respeito da origem nordestina dele não são realmente um problema. Elas até fazem um papel importante na hora de ofender o personagem de maneira preconceituosa, momentaneamente, para que, ainda assim, ele saia por cima das situações.

Novo Trapalhões

 

Assim sendo, o problema do novo Trabalhões não é a ausência desses elementos. Numa breve (e boa) fala de um dos personagens, até é mencionado que “agora são outros tempos” e que “essas piadas não podem ser ditas”. O que faz com que a refilmagem não seja engraçada consiste em algumas falhas que a trupe “clássica” também tinha: piadas velhas, sketches que, de tão mal escritos, precisam ser encerrados com humor físico (extintor de incêndio, guerra de comida, porretes de plástico, etc) e câmeras aceleradas sem nenhum propósito.

Para encerrar, os atores desse remake não conseguiram passar nenhum carisma e os sketches, numa edição visivelmente acidentada, iam pulando na frente do espectador sem nenhuma ordem ou qualquer lógica, fazendo com que os 30 minutos do novo Trapalhões ficassem IN-TER-MI-NÁ-VEIS. Para não dizer que tudo foi ruim, houve duas piadas boas. Dois lampejos sucintos de originalidade.

Dificilmente o programa irá se segurar dessa forma.


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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.