Trial and Error (2017-atual): a comédia que acertou de primeira

Há vários tipos de humor, e nem todos te fazem perder o ar de tanto rir – o que não significa que eles não sejam bons. Veja “Trial and Error”, por exemplo: com a força do carisma de seus personagens e uma história que evolui de forma natural, as piadas não soam forçadas e, quando ela não é de fato engraçada, a série continua sendo divertida, conseguindo assim se manter original.

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“Promotora”, “pesquisadora”, “investigador”, “advogado”, “urso”, “assassino?”, “filha do assassino?”

“Trial and Error” é um documentário falso que se passa na cidade de East Peck, Carolina do Sul, e conta a história do julgamento de Larry Henderson (John Lithgow, de “Dexter”) pela morte de sua esposa, Margareth. A responsabilidade de inocentar Larry de seu suposto crime recai sobre os ombros de Josh Segal (Nicholas D’Agosto, de “Masters of Sex“), um advogado de Nova Iorque que tenta ganhar seu primeiro caso de homicídio. A missão seria mais fácil caso ele não fosse assessorado por uma equipe muito bizarra, composta pelo simplório ex-policial Dwayne Reed (Steven Boyer), pela coleção de doenças psicológicas ambulante, Anne Flatch (Sherri Shepherd), e pela filha de Larry, Summer Henderson (Krysta Rodriguez), que não parece acreditar muito na inocência do pai.

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Em essência, “Trial and Error” é uma paródia das séries que se baseiam em casos reais – que agora povoam nossas TVs aos montes. É basicamente uma versão de “American Crime Story” que nos conta como seria um caso real se todas as pessoas envolvidas fossem bem burras ou estranhas. Da secretária que não consegue identificar rostos (mas pode reconhecer pênis) ao taxidermista que aluga o espaço dele para os investigadores, a série cria, em seus 13 episódios da primeira temporada, um grupo de personagens muito único.

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Quem atua também nesse sentido é a própria East Peck. A cidade tem herois ridículos, famosos por terem desistido rápido de batalhas, e festivais que comemoram pequenos absurdos, além de figuras históricas questionáveis, como o prefeito que governava mesmo estando em coma. A maneira como todos abraçam a cultura e história da cidade transforma East Peck em uma personagem à parte, mostrando que “Trial and Error” aprendeu bastante com “Parks and Recreation”, por exemplo.

Mesmo com a trama envolvendo um assassinato, a série é leve e te deixa bem ao terminar de assisti-la – quando você não está de fato rindo da última situação inexplicável que você acabou de ver, a própria presença dos personagens garantem que você se mantenha conectado ao programa. E se, em último caso, nada disso te pegar, o mistério te fisga: é impossível saber quem de fato matou Margareth Henderson. Se em algum momento da série você achar que descobriu… Tente de novo. E de novo. E de n–

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O fato é que “Trial and Error” fugiu do seu nome e não precisou de muita tentativa e erro para encontrar seu tom; ao contrário de outras comédias, como a (hoje clássica) “The Office” e “Superstore“, “Trial and Error” mostra a que veio logo de início, fazendo ótimo uso de seus 13 episódios. Mostrando que nem só de chorar-de-rir se faz o humor, a série nos leva e nos diverte com ela, nos deixando ansiosos pela (já garantida) segunda temporada. Ao final de seu primeiro ano, não tem erro: o veredito é positivo.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.