Tradução | Como Debbie Harry virava a mesa nas entrevistas

Não profissional, abjeto, rude, chato, bullying — todas essas características se aplicam a homens de meia-idade que comentam incessantemente sobre a aparência de uma mulher quando ela se encontra com eles para falar de sua carreira. O fator breguice é elevado exponencialmente quando isso é transmitido através de ondas de sinal de TV pelo ar, fibra ou 4G. Atrizes e cantoras que sobreviveram a tal abuso em frente à audiência construíram a história do rádio e da TV.

Deborah Harry, do Blondie, recebeu esse tratamento. Sujeita a “anos de perguntas, superficiais, tediosas e aviltantes dos jornalistas”, como asserta a companhia de produções de documentários Public Interest, por fim a cantora “inventou um jeito brilhante para transformar a entrevista na cabeça dos jornalistas e apresentadores”.  O vídeo a seguir (em inglês) mostra uma montagem de entrevistas e clipes em que entrevistadores e entrevistadoras começam quase todas as conversas com Debbie Harry referindo-se a ela como “uma reencarnação de Marilyn Monroe” ou algo do tipo. Ela fica visivelmente incomodada mas mantém a calma, o que em algumas entrevistas leva a um convite para o quase assédio.

Alguns podem dizer que o interesse besta na aparência de Debbie Harry seria justificável visto sua primeira persona pública, uma pinup punk-rock, mas note que em nenhuma das entrevistas sua música chega a ser mencionada — a razão pela qual ela se tornou conhecida e adorada em primeiro lugar. Ao contrário, um apresentador britânico conclui a “pergunta Merilyn Monroe” (se é que aquilo pode ser considerada uma pergunta) inquirindo se Debbie estava pensando em se casar.

Debbie Harry
A fase punk pinup

As perguntas nem sempre eram lascivas, mas eram sempre desarrazoadas. Debbie era clara a cerca de uma coisa. Aquilo era uma obrigação; ela estava lá para vender um produto. Como ela virava a mesa? Um mascote de pelúcia, alguns olhares estilo “dá pra acreditar nessa merda?” bem direcionados para a câmera e uma evidente recusa para responder quaisquer questões sobre Madonna, pra início de conversa. Lou Read e Bob Dylan levam créditos por terem sido alguns dos entrevistados mais rabugentos do rock and roll, mas Debbie Harry tinha muito mais motivos do que qualquer um deles para odiar essa parte do trabalho.

Veja como ela conduz isso no vídeo e, para contraste, leia a entrevista com Bill Brewster em 2014, quando o Blondie soltou um álbum de reunião, Ghosts of Download. O entrevistador foca na música, e Debbie parece animada ao falar sobre o assunto. 

Traduzido de Open Culture

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Hippie com raiva.