Resenha | Toda Luz que não Podemos Ver (2014): encontros e desencontros de um romance histórico

Lançado em 2015 pela Intrínseca, ganhador do prêmio Pulitzer de ficção, Toda Luz que não Podemos Ver, de Anthony Doerr, é um romance histórico que se passa majoritariamente ao longo da Segunda Guerra Mundial. O livro tem como personagens principais Marie-Laurie LeBlanc, uma jovem francesa e cega, e Werner Pfening, um órfão alemão com um precoce talento para trabalhar com rádios. Naturalmente, quem conhece algo da história da guerra sabe que o caminho da garota será fugir de bombardeios e viver num cerco de soldados nazistas, enquanto o garoto caminha (mesmo sem entender) para a juventude hitlerista assumindo responsabilidades de soldado durante guerra.

toda luz que não podemos ver

Um dos pontos que muitos leitores podem criticar nessa história, a princípio, é o seu tamanho exagerado, o que é normal para romances históricos. Assim, ao longo das mais de quinhentas páginas de Toda Luz que não Podemos Ver, é possível esbarrar, vez ou outra, em partes que não são tão interessantes – o arco inteiro do Mar de Chamas por exemplo, que falha em dar ares fantasiosos para uma história de guerra. Por outro lado, a narrativa é muito fluida, já que cada capítulo reveza um personagem e um cenário: ora estamos na França com Marie-Laurie, ora estamos na Alemanha com Werner. Ainda assim, essa estrutura já deixa evidente que em algum momento os personagens irão se encontrar e isso gera expectativas e frustrações, tornando a história previsível.

Local onde se passa a história.

Fora isso, Toda Luz que não Podemos Ver nos entrega uma trama marcante, com uma visão sensível da guerra e personagens realmente interessantes e bem desenvolvidos. Existem subtramas que poderiam ter sido melhor aproveitadas, mas, no geral, é uma leitura que recompensa o tempo investido, especialmente ao final, sem qualquer pretensa “moral da história” ou grand finales manjados para os personagens.  

Juventude Hitlerista.

Por fim, Doerr nos encanta com personagens marcantes e uma passagem de tempo bastante verossímil (exceto nas últimas páginas). Leitores que esperam por um grande clímax e um desfecho arrebatador certamente se sentirão incomodados, mas, afinal de contas, o que esperar do fim de uma história de guerra senão destroços.

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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.