Resenha | Titãs (2018) – a Netflix da DC começando com o pé direito

Desde 2012, a DC pareceu abrir um caminho “seguro” na TV com a estreia de “Arrow”, que seria a grande porta de abertura para o universo que a CW iniciaria e que daria a oportunidade de tornar cada vez mais próximos alguns dos personagens mais famosos – e outros nem tanto assim – para um novo e diverso grupo de pessoas. Enquanto a sua marca se matinha bastante sólida e caminhando a passos bem dados – em boa parte do tempo – nos canais de televisão, no cinema a história já era outra, seguindo aquele tom mais pesado e sombrio, que em parte foi herdado da trilogia Nolan de Batman e da mente engenhosa de Zack Snyder. Após muitas mudanças internas e externas, a DC/Warner decidiu investir no seu próprio serviço de streaming para acompanhar a grande ascenção e alcance de público que estavam conseguindo. Assim foi criado o DC Universe. Como resultado disso, temos agora Titãs, a primeira produção original dessa plataforma que promete criar o seu próprio universo trazendo o melhor dos dois mundos que a empresa teve a oportunidade de vivenciar.

Título: Titãs (Titans)

Criação: Greg Berlanti, Geoff Johns e Akiva Goldsman

Ano: 2018

Pipocas: 8,5/10

Titãs inicia com a história de Rachel Roth (Teagan Croft), uma jovem que possui habilidades que ela mesmo desconhece até determinado ponto, muitas vezes acreditando ter uma entidade dentro de si. Tudo acaba mudando em sua vida quando ela e sua mãe são atacadas por um homem de identidade desconhecida. Após fugir de casa e ser levada para uma delegacia em Detroit, Rachel tem o seu primeiro contato pessoal com o detetive Dick Grayson/Robin, interpretado por Brenton Thwaites (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar) que acaba se envolvendo na história, mesmo que de forma relutante, para ajudar Rachel.

Sendo bem sincero, o caminho que a série faz é bem surpreendente. De início temos toda a introdução ao que Rachel vivencia ao longo de sua vida, sua incapacidade de controlar os seus poderes e de entendê-los por completo. Baseado no material de divulgação da série, isso já era esperado, mas Titans comporta mais camadas do que aparenta, o que torna a série um tremendo acerto.

Os núcleos vão sendo apresentado aos poucos, assim como os nossos protagonistas, mesmo que no primeiro episódio a série tenha nos dado uma ligeira ideia do que cada um deles pode fazer. A cada capítulo os objetivos centrais ficam mais evidentes, mesclando características bastante familiares ao universo das HQs, mas mantendo uma originalidade muito bem-vinda. Em determinados pontos a série se mostra tão segura da sua construção e tão à frente do que muitas séries baseadas em quadrinhos entregam – sejam eles da DC, Marvel etc. -, que seria possível apresentar a mesma ideia sem fazer nenhuma relação com uma série de super-heróis, o que é muito bacana.

Os personagens sem dúvidas são as melhores coisas em Titãs. Cada um possui a sua carga dramática e sua própria bagagem de histórias para contar, seja de uma forma explanativa ou apenas sugestiva. Os personagens são palpáveis assim como as suas motivações. Isso torna a narrativa da serie sustentada por pilares muito bem edificados, abrindo uma porta generosa para as intenções futuras desse universo, que já mostra, em um dos seus melhores episódios, quais tipos de expansão podemos esperar. E vale mencionar que durante a história ainda existem algumas adições muito bem vindas a esse universo.

titãs

Enquanto Rachel e Dick formam o elo mais dramático e sisudo da série, respectivamente, encontramos em Kory Anders/Estelar (Anna Diop) e em Garfield/Mutano (Ryan Potter) o viés mais cômico do grupo. O encaixe de cada um dos atores com seus personagens é muito bom. Alguns acabam apresentando uma nova identidade que complementa muito bem o caminho que a história decide tomar. Por sinal, mesmo após diversas críticas à atriz Anna Diop após a sua escalação para o papel de Estelar, tudo o que eu posso dizer é que ela mandou muito bem.

A minha única grande crítica à primeira temporada de Titãs fica para o season finale da série. Não me entenda mal, o episódio em si é muito bom, mas existe uma determinada escolha feita pelos produtores, na maneira como optaram por encerrar a temporada, que eu achei bem desnecessária e que deixou toda a minha expectativa para ver a conclusão dessa jornada de dez episódios jogada tela afora.

No fim das contas Titãs conseguiu entregar bem mais do que muitos esperavam. Contando com um roteiro bem escrito e amarrado, dando espaço para todas as peças se encaixarem nos momentos oportunos e sem abusar das coincidências, a série mostrou ter capacidade de sobra para iniciar essa nova fase nas histórias que a DC/Warner pretendem contar no DC Universe, deixando espaço para um futuro otimista e de muito potencial.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.