Comentário: The Vampire Diaries – 8ª Temporada (2016/2017): o último adeus

Já faz muito tempo que The Vampire Diaries deixou de agradar como um todo; muitos, assim como eu, acreditam que tenha sido na sua 4ª temporada em que a série começou a cair na mesmice. Desde então a mesma tem oscilado na sua trama, com furos na mitologia, trazendo fatores que qualquer um saberia que não poderia se encaixar com o que conhecemos – como a gravidez de Caroline, por exemplo. Mas ainda assim, sempre tinham um jeito de fazer com que funcionasse, ou ao menos tentavam.

Eu sempre me perguntei por que diabos eu reclamava tanto da série, mas estava ali, toda semana ansioso por mais um episódio. E foi mais pelo o que a série fez durante suas primeiras quatro temporadas. Era impossível não gostar e ter The Vampire Diaries como uma das melhores séries, e percebi que de todo jeito ainda era apegado aos personagens e mantinha um carinho em relação a eles.

Com a confirmação de que a 8ª temporada seria a última, eu esperava que os roteiristas iriam aprender com seus erros e tentariam fazer, do seu último ano, um ano memorável, de forma nostálgica e com a mesma força que tinha antes. De certa forma, em vários momentos aqui, tivemos homenagens que nos remetiam aos primeiros episódios da série, mas que ficavam deslocadas diante das repetidas tramas.

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E o que falar dos irmãos Salvatore? Está aqui mais uma repetição da série, que não cansa de tentar surpreender; a diferença é que não causou mais o mesmo impacto de outrora. Para um estar bem, o outro tem que estar mal. A essa altura, ninguém mais se importa com um vampiro desligando a humanidade, Stefan voltando a ser o estripador ou Damon arrependido. Por mais de uma vez isso se sucedeu durante as últimas quatro temporadas, e é nesse ponto que estava a falta de compreensão dos roteiristas: insistir num drama que não empolgava mais e já sabíamos o resultado.

Outro ponto arrastado foi que Matt finalmente recebeu uma atenção a mais na temporada, mas isso aconteceu um pouco tarde. O personagem, que já foi abalado de diversas formas pelo mal que a cidade de Mystic Falls carregava, ainda assim permaneceu humano, e só agora resolveram apostar um pouco sobre a mitologia da série com a família do moço. Mas infelizmente, sua jornada aqui não emplacou e lamentavelmente se estendeu.

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Mesmo com problemas ao longo das temporadas, The Vampire Diaries sempre apresentou primeiros episódios curiosos, e com essa não foi diferente: vindo de forma consistente, parecia que queria seguir com a misteriosa sereia, mas infelizmente, foi perdendo o brilho.

O caso é que os vilões têm sido um grande desafio a se manter, pelo mesmo fator que tem comprometido a série: o desgaste na sua trama. Aconteceu que um plot já não tinha mais relevância e, ao mesmo tempo que era encerrado, surgiam novas informações, que dificilmente tinham o apelo necessário para envolver o telespectador. Apenas o vilão principal, poderoso e terrível, se destacou nesta temporada, possibilitando o retorno de alguns personagens conhecidos.

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Se por um lado a série deixou a desejar na nostalgia, o seu final valeu a pena neste sentido. A partir do episódio 13 desta temporada a série começou o resgate sistemático de personagens antigos, pagando nossas saudades com o retorno de pessoas queridas da série. Isso deu um novo ímpeto para o programa, dando fôlego para seus últimos episódios.

Mas no todo, The Vampire Diaries teve um final otimista e valeu a pena pelo seu significado. Ainda que em meio às tramas que se encerravam, a série teve tempo, mesmo que tenha acontecido de maneira rápida e em poucos minutos no seu desfecho, para deixar uma ponta solta para um possível spin-off e futuro para um dos personagens — já confirmado nos planos da co-criadora e produtora Julia Plec, só esperando um sinal verde. Foi bom se despedir; não foi fácil chegar até aqui, enfrentando os com muitos altos e baixos acompanhando essa jornada, mas “The Vampire Diaries” soube dizer adeus.

Obs.: para quem não entendeu o final, é só passar o mouse.

“Mesmo depois de nossa longa e feliz vida juntos, Damon se preocupa por achar que nunca mais verá o Stefan. Que ele nunca encontrará a paz. Mas sei que ele está errado. Porque a paz existe. Ela vive em tudo que prezamos. Essa é a promessa de paz. Que um dia, depois de uma longa vida, nos encontraremos novamente.”

Essas foram as últimas palavras de Elena, as quais guardam a compreensão do final do episódio. Todos morreram, e as cenas finais mostram cada um encontrando a sua verdadeira paz, e a única sobrevivente ali é a Caroline, que além de vampira, abriu uma escola para pessoas sobrenaturais. A carta que ela recebe é a ponta solta que garante o futuro para personagem. O seu doador não ninguém menos do que Klaus.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.