The Rain (2018): nunca é tarde para ter esperança

Temática distópica e pós-apocalíptica não é nenhuma novidade no mundo cinematográfico. “Divergente”, “Maze Runner”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Jogos Vorazes” são alguns títulos. No universo das séries, não é diferente. A série brasileira “3%”, a veterana da CW “The 100” e a quase morta “The Walking Dead”, podem ser os exemplos mais conhecidos. Misturando um pouco das duas colegas dos canais CW e AMC, a Netflix fez a estreia da sua mais nova aposta, “The Rain”, uma aposta promissora e intrigante, porém repleta de clichês demais e apatia para sobreviver.

Título: The Rain

Ano: 2018

Criadores: Jannik Tai Mosholt, Esben Toft Jacobsen e Christian Potalivo

Estrelas: 2/5

Uma coisa: Esse texto contém pequenos spoilers sobre a série “The Rain “.

A série dinamarquesa foi rápida ao estabelecer sua trama no episódio inicial destacando os personagens. Tudo indicava que era mais um dia normal, exceto para Simone (Alba August), que tinha um seminário para apresentar. Até que, desesperadamente, seu pai, Frederik (Lars Simonsen), aparece tirando-a da escola antes mesmo dela adentrar na sala, anunciando que devem fugir, pois uma chuva perigosa está prestes a cair. Não demora muito para que caos e as mortes tomem conta de vários lugares, enquanto Frederik sabe muito bem o que está acontecendo, tendo até um bunker preparado para a situação, parar abrigar a esposa e filhos e assim poder solucionar o perigo e salvar vidas o quanto antes.

Longe do esperado, Simone termina com a missão de se manter segura e também proteger o seu irmão, Rasmus (Bertil De Lorenzi). Seis anos se passam e os irmãos – Rasmus, agora interpretado por Lucas Lynggaard Tønnesen – se veem obrigados a se juntarem ao grupo de sobreviventes e explorar o que lhes resta e encontrar a cura numa realidade devastada.

Um dos pontos positivos da série é como é fluida e intrigante, mesmo sendo estranha e confusa. Há seis anos, a única verdade para os personagens era sobre o perigo da chuva. Com base nisso, sem mais informações ou alguém para confiar, tiveram que usar de todos os artifícios para continuarem sobrevivendo. Pouca comida, sem recursos, só a esperança para os motivar. Tanto para Simone e seu irmão, quanto para os demais coadjuvantes, a chuva foi um marco para uma tragédia do passado, o que os levou a viver com o fardo ou lutarem no novo mundo.

Todos, além de quererem encontrar um amanhã em que não precisassem mais viver com o medo, tinham em comum o desejo de sobreviver e superarem o que perderam. Tiveram que abrir mão de várias coisas, deixando para trás até o que costumavam ser graças ao caos da chuva. Esse é o maior aspecto que move a série e equilibra ao, em cada episódio, focar em um personagem e mostrar o que passaram para chegar ali.

Mesmo esse aspecto sendo clichê, é o único que pode ser aceitável e relevante, pois o que procede nos intervalos dos arcos nos episódios é uma verdadeira mesmice batida que todo mundo já cansou de assistir e se deparar nas mais diversas obras. Mas a série realmente é convencida de que triângulo amoroso e obviedade são bacanas o suficiente para desenvolver e prender o espectador. Isso também qualquer filme e série podem fazer, mas as atuações apáticas são ouros aqui e, de alguma forma, são difíceis de convencer.

the rain

Somando tudo isso, “The Rain” não trouxe novidades, muito menos situações e personagens memoráveis – sem falar que alguns plots nem fizeram sentido terem existido -, mas ainda assim funciona como um bom passatempo para quem procura uma nova série sem compromisso, principalmente quando a mesma explica tudo. Mas a julgar pela forma que foi conduzida, ficou claro que a Netflix pretende um segundo ano para a sua aposta pós-apocalíptica. Mas, diante do seu final, o único sinal que não deu foi de esperança e empolgação para o que virá depois. Como um dos personagens falou “não estou entendendo nada”, então deixa acontecer.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.