The Prettiots: “Funs Cool” (2016)

Hoje, dia 5 de fevereiro do ano do Nosso Senhor de 2016, Sir Elton John lança mais um fantástico álbum que certamente será tocado na íntegra em todas as rádios que avós e pessoas no trânsito ouvem no Brasil inteiro. Assim sendo, de quem mais eu poderia falar, senão do primeiro álbum desta dupla de indie pop com ukulele que você nunca ouviu falar na vida?

Estas são as garotas do The Prettiots, e este é seu álbum de estreia, “Funs Cool”.

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O nome da dupla – que consiste de uma tocadora de ukulele, uma vocalista-baixista e uma baterista, o que faz com que elas sejam uma dupla de três – faz um trocadilho com “Pretty Idiots” (“bem idiotas” ou “belas idiotas”). Em adição a isso, o nome do álbum de estreia delas é “Funs Cool” – algo como “diversão é legal”, embora soe como “escola da diversão”. Dá para notar de imediato que as integrantes do grupo não se levam muito a sério, e é exatamente este o grande trunfo delas. Suas melodias agradáveis e suas letras estranhas e divertidas constroem a imagem indie tão querida por alguns e odiada tão fervorosamente por outros.

 

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Um dos singles de divulgação do álbum, “Boys (I Dated in High School)”, literalmente lista os rapazes com os quais a vocalista se relacionou, e como eles “pareciam muito legais e muito bacanas”, mas “não eram muito legais e não muito bacanas”. Em “Dream Boy”, a vocalista descreve seu garoto ideal, pedindo para que ele seja “imediatamente perfeito; nem legal demais, nem malvado demais, e preferencialmente não gay” – e tudo isso embalado por arranjos simples e bem compostos, com ukuleles entremeados de guitarras com distorção.

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Esta estrutura transita facilmente entre canções sobre amores adolescentes e suicídio em potencial (como visto em “Suicide Hotline”, segundo single do álbum), e sobre a possibilidade de atropelamento por uma carreta em “18 Wheeler”. Neste ponto específico, a temática lembra a abordagem que The Smiths tiveram em tantas músicas, como “Girlfriend in a Coma” (“eu sei que é sério”, cantava Morrissey, sonoramente sorridente) e a (minha querida) “There is a Light That Never Goes Out”. Assim como os ingleses, The Prettiots também têm músicas introspectivas (ou o máximo de introspecção que se pode ter tocando um ukulele), e “Skulls” e “Anyways” nos dão vislumbres de reflexões mais plácidas – embora ainda meio perturbadoras. Isso em vista (e ainda achando que cometia uma heresia com os Smiths), qual não foi minha surpresa ao ver que a gravadora através da qual as Prettiots lançaram seu álbum foi a Rough Trade Records, primeira gravadora dos rapazes do Smiths.

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E já que estamos nesta onda de comparações, seria viável dizer que The Prettiots é o provável resultado de Kate Nash ao quadrado somado à abordagem musical blasé de Zooey Deschanel. Ainda assim, as vozes harmônicas das garotas faz com que estejamos dispostos a ouvi-las recitando o alfabeto, se esta fosse uma opção.

“Funs Cool” é um álbum de estreia divertido que você pode ouvir sem preocupação, e que certamente vai envolver um sorriso – seja pondo um em seu rosto ou roubando toda a sua alegria de viver. Se o estilo indepedente descrito fala com você, dê uma chance. Você – provavelmente – não vai se arrepender.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.