The Mist (2017) tinha boas intenções, mas é uma série fraca e monótona

“The Mist” (ou O Nevoeiro) se trata da adaptação do conto homônimo do autor Stephen King. Em 2007, foi a primeira vez que pudemos ver a sua trama ganhar vida nas telas, num longa-metragem. Agora, em formato de série televisiva – adentrando nessa fase em que longas e livros recebem uma “segunda chance” – vimos, ao longo de uma temporada, o desenrolar distante de tudo que prometia entregar. Dividindo opiniões, para quem curtiu ou não essa versão, mas se importa com a fidelidade, adianto-me dizendo que o filme é o retrato mais fiel que você verá – ou já viu – baseado na obra. A intenção aqui não é comparar adaptações, mas, de fato, dizer que essa nova empreitada não encontrou o seu caminho, e acabou decepcionando.

The Mist

Na série, os pequenos conflitos que envolviam os personagens de King, que têm a pequena cidade em que convivem tomada por um misterioso nevoeiro, ganharam um olhar diferente, assim como foram ampliados, aliás, esse foi o maior triunfo da série: desenvolver de maneira interessante seus protagonistas. O foco principal ficou para o casal Eve (Alyssa Sutherland, de Vikings) e Kevin (Morgan Spector), que não bastando terem os problemas na área profissional de Eve, passam a enfrentar uma crise conjugal depois que sua filha, Alex (Gus Birney) é vítima de estupro. No entanto, apresentar personagens com arcos tão bons para serem trabalhados, não garantiu um bom desempenho na atuação do seu elenco. São poucos os que se sobressaem, e o que predomina é o resultado tosco que não faz jus a carga necessária para o que foi mostrado.

The Mist

Contudo, pouco a pouco, o que ainda sustentava o enredo foi se relevando monótono à medida que “avançava”. Como fica claro, o criador e roteirista Christian Torpe quis fazer a série diferente, explorando mais ambientações com os personagens, e trazendo explicações diversas para solucionar o porquê da chegada do nevoeiro, a fim de incrementar o suspense diante do material em mãos, porém, nada indicava que “The Mist” iria melhorar. Com isso, o tal suspense que fora tão bem equilibrado e chocava na obra de King, passou longe de alcançar o tom, mas nada impediu que o roteiro insistisse no erro e acreditasse que, de fato, a sua trama atingiria em cada episódio o efeito esperado.

The Mist

Mas “The Mist” não é apenas sobre instaurar o terror por conta do nevoeiro, e sim, os efeitos que ele pode gerar além da dúvida e do medo. Se a obra de King conseguiu passar com maestria a maldade e hipocrisia das pessoas diante da batalha pela sobrevivência contra criaturas gigantes, aqui, apresentou-se um desgaste nesse desenvolvimento. Visto que já estava manjado que caminho o roteiro seguiria, ele não era capaz de impactar e muito menos cativar o telespectador, falhando na missão de acertar no drama, suspense e qualquer outro gênero estabelecido.

A série até que se arrisca para provar que as mudanças feitas valeram a pena, porém, demorou muito para trazer o seu potencial e empolgar. Há quem apreciou o que a trama entregou por dez episódios, também os que acharam que o nevoeiro não deu em nada, mas o que a série não deixou mesmo de executar foi uma trajetória anticlímax e sonolenta.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.