Yellow Sounds #51 – The Hissing of Summer Lawns (1975)

O ‘pior álbum do ano’ era, na verdade, uma obra de arte

the-hissing

Das primeiras vezes em que ouvi The Hissing of Summer Lawns, enquanto pesquisava a seu respeito, pensei em escrever um texto que pudesse desmistificar o álbum. Acontece que não só me falta conhecimento suficiente sobre Joni Mitchell para tal como isso já foi feito diversas vezes quando a obra finalmente foi entendida como a importante arte que é.

Há quem recomende ouvir outras obras de Joni antes de chegar à The Hissing, por se tratar de um álbum complexo – considerado o mais difícil da canadense – e experimental. Não acho que seja necessário. Então, se você chegou até aqui conhecendo pouco de Mitchell, sinta-se convidado a fazer parte da coisa assim mesmo!

Quando foi apresentando à crítica, The Hissing of Summer Lawns recebeu duras críticas, com destaque para a renomada Rolling Stone que o elegeu como o pior álbum do ano. Isso porque, nele, Joni Mitchell intensificou a influência do jazz em seu estilo costumeiramente mais folk e deixou para trás a temática “pessoal” comum aos álbuns predecessores, abrindo espaço para uma reflexão social.

Joni é uma das poucas mulheres na lista dos 100 melhores guitarristas do mundo (a outra é Joan Jett) e é, também, considerada uma das melhores compositoras de todos os tempos. Por isso, encarei com certa ironia a crítica (do NY Times) de que The Hissing era um álbum que precisava ser lido e só depois ouvido. Não se pode esperar de Mitchell, sobretudo em fase de expansão e experimentação artística, um material que, cedo ou tarde, jamais fosse pedir uma atenção extra. Ela é questionadora do sistema e ligada às artes – incluindo a poesia – desde sempre.

joni

Para mim, desde o primeiro contato, The Hissing não foi sonoramente difícil. Tampouco exigente. Dentre os álbuns da cantora que figuram na lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer” foi, provavelmente, o que mais me agradou logo de cara. As letras, além da bela poética, são mesmo um convite à interpretação que levam a relação com a obra para um outro nível.

Nada que impeça a quem quer se interesse de se envolver com o álbum desde o primeiro contato. A começar pela faixa de abertura, In France They Kiss On Main Street, que foi a única lançada com single. Passando por Edith And The Kingpin e por Don’t Interrupt the Sorrow até a homônima The Hissing of The Summer Lawn. Essas fecham o ciclo das faixas que eu ouvi repetidas vezes, por razão inexplicável, até finalmente ouvir o álbum inteiro. Destaco, ainda, a beleza de Harry’s House-Centerpiece e Sweet Bird.

Vale dizer que não houve crítica a tirar de Joni Mitchell a indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Feminina pelo álbum. Ou qualquer uma capaz de impedir que The Hissing of The Summer Lawn fosse merecidamente entendido como um dos melhores da canadense; uma obra de arte 😉

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.