The Handmaid’s Tale – 2ª temporada: Emily e a nossa realidade distópica

Contém spoilers do segundo episódio da segunda temporada

Um observador externo à nossa sociedade poderia avaliar que vivemos na iminência de uma distopia – ou que já estamos vivendo em uma. O debate político é ilustrado por problemas contemporâneos à Guerra Fria; a ciência é bombardeada por questionamentos resolvidos antes do achamento da América; além disso, cresce o apoio aos discursos eugênicos e excludentes. As discussões não são pautadas pela defesa das ideologias, mas pelo contrassenso. Parece mais fácil negar o diferente do que defender uma afirmativa. Em The Handmaid’s Tale, Gilead é o lugar em que a distopia deu um passo à frente.

Neste início de temporada, somos apresentados à família de Emily (Alexis Bledel). Ela é a testemunha desse retrocesso de diretrizes e diretivas na realidade da segunda temporada de The Handmaid’s Tale. Emily tinha esposa e um filho e era professora de Biologia em uma universidade. A primeira marca da virada de jogo ultraconservadora em sua vida foi exatamente na sua profissão. Como forma de protegê-la, o diretor da universidade e seu amigo – que também era gay – recomendou que ela se afastasse da docência, o que ela prontamente recusou. Dias depois, o diretor foi enforcado nas dependências da universidade por conta de sua orientação sexual.

Hoje, a maior parte dos governos ocidentais é liberal. Não existe, no Brasil, por exemplo, lei que criminalize relações homoafetivas, pelo contrário. Mas esta é uma conquista recente. Talvez, por isso, o pensamento discriminatório ainda seja tão propagado. Com as relações sociais cada vez mais impactadas por acontecimentos políticos e pelo fato da política estar se tornando algo cada dia mais próximo uma arena de jogos, velhos líderes reavivam movimentos ultrapassados e utilizam a população insatisfeita para legitimar ações anti-democráticas. Este pode ser exatamente o ponto catalisador que transformou os Estados Unidos em Gilead.

segunda temporada de the handmaid's tale

Nos flashbacks de The Handmaid’s Tale vemos que a infertilidade epidêmica que afetou a população abriu espaço para a ascensão do movimento ultraconservador. Sem um norte para seguir, a população depositou as esperanças de retomada das taxas de natalidade no sistema clerical. Mas a oposição era forte, por isso, os reformistas precisavam eliminar a voz contrária. Isso justifica o atentado ao Capitólio. Sem o palco para o debate, não há debate; sem o debate, não há oposição. Dessa maneira, os revoltosos criaram o cenário perfeito a repressão, que garantiria, enfim, a tomada do poder.

Provavelmente veremos mais de como se deu essa revolução nos próximos episódios. Infelizmente os paralelos da série com a nosso própria distopia não devem parar por aí.

 


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Leandro Bezerra

Editor, redator e um serumaninho quase legal.