The Handmaid’s Tale (2017): 4 motivos para assistir a nova série Original Hulu

Este texto sobre The Handmaid’s Tale foi publicado originalmente no site 11Degraus. Vá conhecer agora!

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A nova série do Hulu, adaptação do livro O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) de Margaret Atwood, é uma ficção científica distópica. Ambientada em um presente alternativo, a República de Gilead é uma parcela do território dos Estados Unidos controlada por um regime totalitário cristão fundamentalista. A série conta a história de Offred (Elizabeth Moss), a recém alocada Aia do Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes), um oficial de alta patente do novo regime. Forçada a viver como uma concubina, Offred tenta sustentar um fio de esperança atrelado ao sonho de recuperar a própria filha e fugir desse sistema opressor.

the handmaid's tale

A série, criada por Bruce Miller, ainda conta com Yvonne Strahovski (de “Dexter” e “Chuck”), Samira Wiley (“Orange is The New Black”) e Alexis Bledel (“Gilmore Girls”) no elenco. O programa se mostrou um sucesso de crítica e público, e já foi renovado para a segunda temporada, em 2018.

Por razões óbvias, este artigo NÃO CONTÉM SPOILERS.

Feminismo

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“The Handmaid’s Tale” traz como discussão principal a (falta de) liberdade feminina dentro de uma sociedade essencialmente patriarcal. Em contraponto ao momento “político-social” atual, em que a igualdade de gênero é debatida com afinco e cada vez mais relevância, a série lança o espectador em um mundo onde a mulher é nada mais que uma ferramenta, um adorno. O antigo modelo de direitos civis femininos é tratado como uma falha a ser corrigida.

As mulheres são divididas em castas:

  • As esposas ou matriarcas da casa, são figuras de maior poder depois do homem.
  • As Tias são mulheres fanáticas religiosas, responsáveis pela preparação das Aias. São o equivalente feminino a um soldado do regime.
  • As Marthas tem um papel ainda não muito claro (não li O conto da Aia, essas são impressões exclusivamente da série), mas parecem ser uma classe paralela às Aias, na maior parte do tempo agem como serviçais.
  • Por fim, as Aias.

Da vestimenta aos nomes, as aias não possuem mais poder sobre si. À elas não é permitida a liberdade de expressão, a liberdade de decisão, a liberdade de pensamento. Aias são objetos domésticos, criaturas que devem se sentir para sempre agradecidas por serem designadas a servir um líder e sua família. A grande diferença entre Aias e Marthas é que as primeiras são peças fundamentais em um estupro ritualístico, chamado Cerimônia.

Os homens também são divididos em níveis hierárquicos. Apenas àqueles de alto escalão são distribuídas mulheres. A hierarquia é mensurada basicamente pelo trabalho exercido pelo homem: os graus mais altos são ocupados pelos oficiais do regime, enquanto os mais baixos são representados por serviços mais mundanos como motoristas, comerciantes, etc.

Inversão de estereótipos religiosos

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Desde os ataques ao World Trade Center, em 2001, o mundo ocidental (me refiro ao real, não o fictício) possui um novo inimigo em comum: os grupos radicais islâmicos. A mídia norte-americana incutiu no imaginário popular a ideia de que qualquer islamita é um terrorista em potencial. É nesse ponto que a série propõe ao espectador um exercício imaginativo: E se um grupo radical da religião mais difundida do planeta, cujos devotos somam quase um terço da população mundial, tentasse implementar uma ditadura teocrática?

Nazismo

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O regime liderado pelo maior vilão da história moderna não poderia ficar de fora da seara de referências dessa série. A maioria das alusões ao nazismo é feita durante diálogos e nos monólogos mentais de Offred. Algumas cenas pontuais são adaptações diretas de ações do regime ariano. O confisco de bens, um dispositivo de identificação e adoção de um nome caraterístico à “classe”, são algumas das várias relações dessa ditadura fascista com o governo da República de Gilead.

Discussões atuais

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Além do feminismo e da questão religiosa, outro assunto cotidiano que “The Handmaid’s Tale” traz é a displicência com que lidamos com o meio ambiente. Sem parecer panfletistas, são inseridas críticas ao sistema capitalista e aos modelos de produção de industrial, ao lixo que deixam para trás, aos danos irreversíveis que infligem ao planeta. Uma das justificativas religiosas para o implemento da ditadura cristã, nesse presente alternativo, é que o mundo foi assolado por uma praga, uma punição divina pelos de anos de poluição desenfreada, que influencia diretamente na relação entre homens e mulheres daquela sociedade.

A série chega em um momento bastante oportuno, dada a onda radical conservadora em destaque nos Estados Unidos e em diversos países de importância global, como França e Inglaterra.

Bônus:

Roteiro, Direção, Atuações e Fotografia

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Junte “Mr. Robot”, “O menino do pijama listrado” e “Olga”, e terá uma ideia da qualidade da série. As atuações, em especial as femininas, por serem mais requisitadas, conseguem transmitir todo o peso dramático necessário para envolver o espectador. Em muitos momentos, a série ilustra situações (na falta de um adjetivo melhor) bizarras, mas que, por mérito da direção e das atuações, se torna muito real.

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Todos os episódios de “The Handmaid’s Tale” mantém a qualidade gráfica em alto nível. Como toda boa obra audiovisual, a fotografia da série ajuda a contar a história. É criada uma atmosfera densa e misteriosa identificando os momentos opressivos com cores escuras ou ambientes fechados; e cenas abertas ou mais claras que marcam os períodos mais libertos (mental ou fisicamente) das personagens.

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Nota: Até a data de publicação deste artigo, já foram ao ar 5 dos 10 episódios da primeira temporada.

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Artigo escrito por Leandro Bezerra. Encontre-o no Twitter.

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Do cult popular ao pop culto: PontoJão é o lugar para você ir além do senso-comum. Seu ponto além da curva.