Comentário: The Get Down (1ª Temporada – Parte 2) e as escolhas que nos levam aos nossos sonhos

Alguns meses após a ótima primeira parte da primeira temporada de The Get Down, que infelizmente não foi bem sucedida em atingir todo o público esperado pela Netflix, já estão disponíveis os 5 últimos episódios que dão seguimento a essa jornada repleta de sonhos e de muita música. Mantendo todas as características positivas da primeira parte, The Get Down retorna com uma tentativa de expandir seu universo, mas sem esquecer de suas raízes. Os sonhos daquele grupo de jovens dita as batidas e os rumos dessa história, que agora muito mais entregue a parte musical, consegue mesclar sua trama alegre com todo o drama que a cerca sem perder o ritmo.

The Get Down

Apesar de certa ressalva inicial, a decisão de dividir a série em duas partes (devido ao alto custo de produção) ajudou a dar mais dinâmica para a história. Agora já em 1978, apostando ainda mais no melodrama, em cenários mais fechados – que pode ser justificado pelo menor orçamento, e ainda contando com um recurso de animação 2d para ajudar a montar a trama, o projeto de Baz Luhrmann (a mente por trás de “Moulin Rouge”) continua enérgico e eficaz em montar sua história usando o início do Hip Hop e o sucesso da Disco como pano de fundo, agora agregando o movimento Zulu Nation a esses elementos.

O principal obstáculo para os personagens é decidirem entre terem a vida que querem, ou a que o ambiente em que estão imersos os levariam a ter. Após o sucesso de sua primeira apresentação, os Get Down Brothers se veem crescendo como um grande grupo musical do Bronx, e ao se verem envolvidos em esquemas de tráfico e metidos com os comandantes da região – aliás, Yahya Abdul-Mateen II como Cadillac e Lillias White como Fat Annie fazem um ótimo trabalho, e recebem um destaque merecido nessa temporada – eles são levados a todo momento a refletir se estão fazendo as coisas da forma correta.

Justice Smith continua fazendo um ótimo trabalho como o protagonista Zeke, e sua química com Herizen F. Guardiola (intérprete de Mylene) ajudam a evitar que certos momentos pequem pelo excesso de drama. Shaolin (Shameik Moore), Boo-Boo (Tremaine Brown JR.) e Ra-Ra (Skylan Brooks) ganham pequenas tramas próprias, mas nada muito diferente do que já tínhamos visto na primeira parte dessa temporada. Já Dizee (Jaden Smith) e sua relação com Thor servem basicamente para trazer uma estética de desenho como muleta para seguimento de trama, evitando certas cenas que serviriam apenas para explicação.

The Get Down

Mas quem ganha todos os holofotes é Mylene, que agora já famosa por suas músicas, se vê em uma situação complicada quando ser o pilar de evolução de seu pai, tanto religiosa quanto financeiramente, se choca com seu sonho de se tornar uma diva. Continuar mantendo a imagem de menina religiosa entra em conflito com a imagem mais sensual que seus produtores esperam que ela adote. E a relação entre sua família, principalmente o certo triângulo amoroso que se formou entre sua mãe, seu pai e seu tio, se torna ainda mais problemática, e acaba garantindo um desfecho inesperado.

Apesar de adotar ainda mais a parte musical, a série peca em apresentar músicas menos marcantes, ou até mesmo interessantes, que as da primeira parte. A estética continua linda, as cores levemente desbotadas e o excesso de luzes nas cenas em boates geram cenas lindas. E a representação do Bronx, agora mostrado em menor escala, da década de 70 é simplesmente espetacular. 

The Get Down

Não se sabe se teremos uma segunda temporada, agora resta os fãs torcerem para que a Netflix seja piedosa. Caso a série seja encerrada aqui, resta a tristeza devido a enorme galeria de tramas que poderiam ser desenvolvidas. Mas de qualquer forma, The Get Down merece ser assistida pela ótima retratação dos anos 70, por conseguir utilizar a música como elemento de trama sem forçar e ainda mais por ter personagens fáceis de se apegar. Claramente a melhor série que quase ninguém está assistindo. 


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Lucas Bulhões

Estudante de programação que odeia programar e que se arrisca a escrever nas horas vagas. Sonha em conhecer todo mundo sem ao menos conhecer a si mesmo. Libriano não praticante.