Yellow Sounds #60 – A Date With the Everly Brothers (1960)

No meio do caminho tinha uma ponte…

The Everly Brothers

Desde os primórdios, houve quem considerasse o rock n’ roll errado – para dizer o mínimo. Chuck Berry foi alvo dessa ideia e, em um dado momento da carreira, Buddy Holly – da coluna anterior – se deparou com uma gravadora que preferia tentar mantê-lo no country a deixá-lo se aventurar pelo novo estilo. Por outro lado, houve quem tenha escapado disso, conseguindo encontrar espaço para unir os universos.

Os irmãos Everly, originários de Iowa, formaram um dos vários duos que fizeram parte do movimento rock n’ roll. Encontraram seu lugar ao sol, alcançando o sucesso nos anos 1950, por terem criado uma agradável ligação entre o já familiar country e o tal do rock. Uma ponte entre os fãs de ambos os estilos.

The Everly Brothers

A música acompanhou Don e Phil desde o berço e, em 1957, eles decidiram formar sua dupla, voz e violão, produzindo um som leve e de vocais harmônicos, que se tornaria influência relevante para vários dos que vieram depois. Dentre eles, os Beatles, The Beach Boys e Simon & Garfunkel (todos lindamente representados aqui na Yellow Sounds).

Quando lançaram A Date With the Everly Brothers (1960), os irmãos já tinham outros três álbuns de estúdio e haviam estabelecido uma bem sucedida parceria com o casal Bryant, que escreveu várias das músicas gravadas pelo The Everly Brothers. Dentre elas, Bye Bye Love, que havia sido rejeitada por Elvis, e que rendeu ao duo seu primeiro milhão em vendas. Àquela época, os Everly já tinham estado em turnê com o já mencionado Buddy Holly (sim, eu gosto desse cara) e tinham hits tanto na Terra do Tio Sam quanto na Terra da Rainha.

À essa altura, os álbuns dos irmãos Everly já tinham mais composições próprias. Made To Love, faixa de abertura, é um bom e animado exemplo. Animado no sentido de dançante, uma característica que só abre espaço para algumas baladinhas românticas – algo que, talvez, justifique o título do álbum.

São elas: That’s Just Too Much, a bela Always It’s You e A Change Of Heart,  também composições dos irmãos. A que se destaca mais, porém, é Love Hurts, de Felice e Boudleaux Bryant. Se o nome parece familiar é porque, provavelmente, é. Desde a primeira aparição, justamente no álbum em questão, a faixa foi regravada diversas vezes, de Cher à Nazareth:

Outros destaques vão para Baby What You Want Me To Do, escrita pelo bluesman Jimmy Reed e uma boa referência ao country no som dos Everly e Lucille, de ninguém menos que Little Richard (e Al Collins). Cathy’s Clown, assinada por Don e Phil, é a faixa que fecha com chave de ouro a lista de destaques e o álbum. A faixa se tornou o primeiro hit dos irmãos na nova gravadora e seu registro mais vendido.

Dali em diante, muita água ainda passaria por debaixo da ponte dos irmãos Everly: mais alguns sucessos, a derrocada, a separação, carreiras solo, reconciliação e fim… A nós, por ora, vale apenas ressaltar que essa ponte existiu para unir, com sucesso, rock e country. Não sem motivo, os irmãos cravaram seus nomes no Rock and Roll Hall of Fame (1986) e no Country Music Hall of Fame (2001).

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.