Resenha | Suicidas (2012)- a arte vive quando provoca reflexões

A literatura brasileira está repleta de grandes nomes e belíssimas obras, tanto de escritores mais velhos como mais jovens, abrangendo todos os tipos de gêneros e assuntos. Hoje, em especial, vamos falar especificamente de uma obra que foi publicada no ano de 2012 e abriu inúmeras portas para Raphael Montes mostrar suas histórias e se tornar um dos principais nomes da literatura de suspense no Brasil: “Suicidas”.

suicidas

“Suicidas”, sua primeira obra publicada pela editora Benvirá (hoje na Cia. das Letras), apresenta uma história bastante atual e intrigante. Em uma estrutura que mescla fatos do presente e do passado, somos apresentados à história de nove jovens que cometeram suicídio em um porão e a forma como as investigações são retomadas após uma nova pista aparecer (um ano depois do evento). Guiadas pela delegada Diana Guimarães, as mães dos jovens envolvidos na roleta-russa são reunidas para tentar entender o que aconteceu naquele dia e os motivos que levaram cada um dos seus filhos até aquele momento.

É com essa premissa que seguimos presos à história, cuja, parte é narrada através da leitura de um tomo extremamente detalhado escrito por uma das vítimas da roleta, ao mesmo tempo em que a sorte é lançada e as baixas no porão vão acontecendo. A outra parte vem de áudios gravados durante a investigação. É dessa forma que a narrativa consegue prender a atenção do leitor. A cada capítulo, camadas vão sendo destacadas de todo este mistério. O que, não somente, serve para desenvolver e fazer a história seguir seu rumo, como também destrinchar uma análise – bastante pesada em alguns momentos – a respeito de questões muito abordadas mas que nem sempre são resolvidas de forma positiva. Nesse caso, não estamos falando necessariamente do que acontece no decorrer do livro.

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O tema, por ser algo que costuma reter muita atenção e gerar – em certos casos – uma divisão entre quem o aborda, trouxe para essa história um sentimento de urgência que transcende as páginas e encontra a consciência de quem está lendo. Esse é um dos maiores trunfos de “Suicidas”. A obra não se contém em apresentar uma narrativa cativante com enredos e reviravoltas que possam surpreender o leitor, ela atira mais fundo e em uma direção que visa o debate e a conscientização a respeito do seu tema principal.

“Suicidas” definitivamente é uma obra que tem vida e força própria, que levanta questões e arquiteta situações que geram desconforto mas que, ainda assim, retratam a forma complexa e sensível da mente jovem e até onde a escolha e a ambição conseguem levar o ser humano.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.