Resenha | Star Wars: Os Últimos Jedi (2017) – um filme com propósito (sem spoilers)

Décadas separaram o fim das jornadas de Luke, Leia e Han Solo dos seus novos começos e, quando “Star Wars: O Despertar da Força” veio aos cinemas, em meio à muita expectativa e foi encontrado com alegria, mas também um pouco de decepção por parte daqueles que esperavam grandes novidades da franquia. Para estes, dois anos depois, “Os Últimos Jedi” chega para mostrar que a franquia não só tem fôlego como tem disposição e criatividade para ousar e se reinventar quarenta anos depois de seu início.

os últimos jedi

Título: Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi)

Diretor: Rian Johnson

Ano: 2017

Pipocas: 9/10

Na trama, a Primeira Ordem ascendeu ao poder definitivo após a destruição da República (mais uma vez, novamente). Enquanto a Resistência volta a ser escória rebelde e luta na frente de batalha contra as tropas de Kylo Ren (Adam Driver) e da Ordem, Rey (Daisy Ridley) busca seu treinamento com o lendário Luke Skywalker (Mark Hamill) para tentar equilibrar os poderes da luz e das sombras.

Esta é a temática principal do filme: o balanço entre o bem e o mal, não só a nível universal – como na figura de Darth Vader versus Luke Skywalker, na trilogia original -, mas também em uma linha individual, dentro de cada um dos personagens. Isso é especialmente relevante para Star Wars quando consideramos que o maniqueísmo não só é muito presente na franquia como é um de seus pontos principais: os Jedi sempre se opuseram aos Sith, cada um escolhendo o lado da Força que melhor servia aos seus propósitos.

Aqui, Rian Johnson – demonstrando seu brilhantismo como diretor e roteirista do filme – deixa este legado de alto contraste de Star Wars para trabalhar a complexidade de seus personagens. Falhos, as luzes e sombras que dançam em seus rostos mostram que as questões que eles enfrentam não são tão simples, e que todos, do guerreiro aos mitos, são passíveis de fazer escolhas errôneas que marcam para sempre seus destinos, tanto quanto são capazes de alcançar redenção – mesmo que nem sempre o façam.

Se na linha dos personagens as luzes brincam com nossa percepção enquanto o roteiro nos engana em cada curva, a trilha sonora, mais uma vez do mestre John Williams, mistura elementos clássicos – como o tema da Força e o romântico de Leia e Han Solo, por exemplo – a novos leitmotifs que ao mesmo tempo nos anunciam o que vai acontecer a seguir enquanto fazem nos olhar para o lado errado.

O roteiro “Os Últimos Jedi” é excelente neste aspecto. O arco principal é muito bem trabalhado, construindo uma história que não se furta de crescer continuamente ao longo da película; toda vez que você acha que o filme tem que acabar naquele ponto, ele faz uma nova curva e prossegue; com ou sem falhas visíveis, este episódio VIII não é um filme previsível.

Imagem de divulgação.

Isto não é dizer que “Os Últimos Jedi” é perfeito. Mesmo que alguns personagens pareçam contraditórios em suas ações e o longa tenha coincidências Forçadas dignas do resto da franquia, o principal problema é o arco secundário de Finn (John Boyega) e Rose (Kelly Marie Tran), que vai de lugar algum a lugar nenhum, não tendo nenhum impacto significativo para a trama. O incômodo é gerado principalmente pelo fato de que os dois personagens são interessantes, mas acabam relegados a um segundo plano que não acrescenta e anda em círculos, estufando a duração do filme sem uma contrapartida para a história.

General Leia (a imortal Carrie Fisher), BB8, Poe Dameron (Oscar Isaac), Finn e Rose para a Vanity Fair.

Estes pequenos defeitos, contudo, são engolidos por o quão grandioso esse filme é. Das cenas de ação ao impacto real que este episódio traz para a franquia, “Os Últimos Jedi” é, talvez, o momento mais significativo para Star Wars desde “O Império Contra-Ataca”. Enquanto este nos lembrava que o bem pode se enfraquecer e nem sempre vencer, aquele nos aponta que mesmo “bem” e “mal” são definições arbitrárias que dependem muito da versão da história que é contada: a sua, a de outrem ou a verdadeira.

Muitos se questionaram quanto ao valor do retorno de Star Wars para além do óbvio lado financeiro na época do lançamento do episódio VII; foi argumentado que não havia motivo para o longa existir senão para dar dinheiro com uma nova geração. Dois anos se passaram e chegamos a “Os Últimos Jedi” e, como a Força, a temática que permeia todo o filme dá sentido e poder a ela, nos envolvendo e entregando um novo clássico para a grande franquia da cultura pop. Mais do que um excelente divertimento e ótimo longa, “Os Últimos Jedi” é, acima do bem e do mal, um filme com propósito.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.