Star Wars: O Despertar da Força (2015)

“-Há histórias sobre o que aconteceu.

-São verdadeiras. Todas elas. O Lado Sombrio, os Jedi. Eles são reais.”

despertar da força

Título: Star Wars: O Despertar da Força (“Star Wars: The Force Awakens”)

Diretor: J. J. Abrams

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Dizem que conquistas são proporcionais ao tamanho do desafio vencido para obtê-las. Quando pensamos em “Star Wars: O Despertar da Força”, não havia desafio maior do que entregar algo a altura da expectativa dos fãs: foram 30 anos aguardando para ver a continuação das histórias de Luke, Leia, Han e companhia no cinema; a realidade era que nenhum filme jamais conseguiria suprir tudo o que se esperava.

Sendo assim, apenas 4 horas após ver o filme, posso afirmar: se essas expectativas nunca seriam alcançadas, “O Despertar da Força” é o mais próximo que podemos chegar disso.

Normalmente apresento o enredo do filme aqui, mas vou me abster de fazê-lo; caso você, como eu, tenha fugido de qualquer tipo de informação antes da estreia, vendo somente o primeiro trailer, toda a história será uma total surpresa para você – e você poderá aproveitar cada segundo.

De qualquer forma, cabem elogios que nada revelam. O filme é um sucesso em termos narrativos e técnicos; os efeitos práticos tornam muito mais críveis os cenários que nos são completamente alienígenas – literalmente. Filmado primariamente em Abu Dhabi e Islândia, a ambientação criada pela produção nos lança em planetas tão hostis quanto o vilão desse filme.

No âmbito das atuações, todo o elenco parece estar não só confortável, mas sinceramente radiante de estar ali, vivendo cada cena intensamente – e não é para menos. Os novos protagonistas Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) têm ótima química em cena, e conseguem transitar entre o drama, o humor e sessões de nostalgia com uma tranquilidade invejável – talvez tão invejável quanto estar num filme de Star Wars – e ainda ganhar para isso. Não sei vocês, mas eu faria de graça tranquilamente.

A história se desenrola de maneira fluida, exceto por uma sequência de ação que pouco agrega à trama principal e acaba por prejudicar o ritmo do filme por alguns minutos – em grande parte para fazer menções para agradar os fãs. Nesse escopo, é visível o esforço do roteiro (co-escrito por Abrams e o roteirista dos episódios V e VI, Lawrence Kasdan) de referenciar os filmes originais enquanto cativa a nova audiência que desconhece o universo.

Difícil saber o quão bem-sucedido o filme é nesse sentido, até porque é complicado afirmar que alguém não conhece o universo de Star Wars, pelo menos indiretamente, visto o impacto do mesmo na cultura pop mundial. De qualquer forma, assistindo com amigos que não haviam visto os filmes anteriores, diversas vezes eles se mostraram incomodados com pausas para piadas específicas que obviamente não era para eles entenderem – como aquela sensação de que você está sendo excluído de algo muito divertido. É um pequeno ponto que, analisando como audiência neutra, pode alienar parte dos neófitos. Por outro lado, para os fãs de longa data, cada personagem e referência vale um grito e uma salva de palmas no cinema.

Esse esmero, inclusive, vai além de referências e piadas; desde o pôster à trilha sonora do mestre John Williams, toda a produção deste filme é feita com o carinho de quem amava a fonte de onde ele surgiu, mas lembrando que há toda uma nova leva de pessoas que podem ter suas vidas transformadas por uma história – da mesma forma que aconteceu há muito tempo, bem nessa nossa galáxia mesmo.

Soma-se à este cuidado o fato de o filme ter muito sucesso em atingir todas as idades. BB8 é um dos robôs mais simpáticos do cinema, ao lado de nomes como Wall-E, Gigante de Ferro e o próprio R2D2, e consegue arrancar suspiros e risos com facilidade – inclusive vem dele uma piada visual que trouxe o cinema abaixo em gargalhadas. Além deste apelo pontual, o fato de o filme trabalhar com os mesmos arquétipos heroicos da trilogia original com o pano de fundo de aventura garante o mesmo resultado: todos conseguem se identificar e se divertir sem reservas.

“Star Wars: O Despertar da Força” é, antes de um filme, um evento mundial (do qual ainda estou me recuperando emocionalmente, admito), e isso é sabido. O que dividia expectativas e receios era a forma como este evento se desdobraria nas telas, e o resultado é tão excelente quanto esperávamos: a forma e os elementos da história nos remetem a tudo que amávamos na trilogia original, com novos personagens e novas roupagens para arquétipos antigos.

Ao fim da exibição desta pré-estreia lotada de fãs, aplaudimos de pé, contentes e emocionados. Ali, às 3h00 da manhã, a Força havia nos despertado.

Já assistiu ao filme? Então venha participar do nosso PontoCast AO VIVO na segunda-feira (21/12), às 21h00!

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.