Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma

Quem me conhece, ou lê meus textos, sabe que eu procuro sempre achar o lado bom das coisas quando vou falar de algum assunto, e não por menos coube a mim falar do filme mais odiado de todos os tempos. Não me entenda mal; você que por algum motivo gostou da Ameaça Fantasma: realmente admiro sua força por isso. Mas a verdade é que Star Wars – Episódio I é de longe o filme mais fraco da série até o momento, além de ser um fiasco como filme no geral.

Vamos situar o filme antes de qualquer coisa. A LucasFilm criou o maior e mais amado mundo da ficção em Star Wars, e vinha de 3 filmes que marcaram não só uma geração, mas a cultura como um todo. E esse mundo estava amargando um hiato de 16 anos e muito material complementar para tentar saciar uma legião interminável de fãs que aguardava o retorno de Luke, Han e Leia às telonas.

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Eis que surge um novo filme de Star Wars, com um trailer excelente, e todos se animam com a possibilidade de mais uma incrível história, que dessa vez se passaria no passado, contando a história do jovem Anakin Skywalker e sua caminhada até o que ele se tornou na série clássica. Mas tudo mudou um pouco quando o filme de fato começou.

No filme temos o Mestre Jedi Qui-Gon Jinn, vivido por Liam Neeson, e seu jovem Padawan Obi-Wan Kenobi, vivido com a incrível maestria de Ewan McGregor (que passou pelo teste de elenco usando fotos do ator original contra mais 50 outros atores), presos em Naboo onde um bloqueio comercial acontecia, e eles deviam negociar os termos de paz. De imediato o filme já demonstrava que o fator político teria grande foco na trama, apesar de ainda não ser mostrado o quão grande (e chato) esse foco seria durante o filme.

Ainda nos primeiros momentos do filme somos apresentados ao que seria o ser mais odiado e dispensável de toda a história de Star Wars: o Gunga Jar-Jar Binks, vivido por Ahmed Best, que foi indicado ao prêmio Framboesa de Ouro como Pior Ator Coadjuvante do ano. Jar-Jar tinha sido criado com a intenção de ser o alívio cômico do filme, o que não conseguiu fazer de forma efetiva em momento algum, apenas complicando a vida dos Jedis. Estes, por sua vez, conseguem salvar a princesa Padmé, interpretada por Natalie Portman, que também foi convidada a participar do Framboesa daquele ano. Natalie bem que tentou fazer algo pelo filme, mas as gravações que constantemente usavam fundo verde e a faziam interpretar sozinha, correndo para lá e para cá, de nada chegou aos pés da Leia dos filmes clássicos e só desanimou os fãs.

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Sentimento de 9 em cada 10 fãs sobre Jar-Jar

Os herois confusos e a princesa, agora já com a companhia de R2D2, acabam em Tatooine, e lá a história começa a fluir de forma um pouco melhor, mesmo com alguns furos de roteiro. Enquanto buscavam peças de reposição para sua nave, Qui-Gon encontra o jovem escravo (mais feliz que já existiu) Anakin Skywalker, vivido por Jake Lloyd, que fechou a participação de Star Wars Episódio I no Framboesa de Ouro daquele ano. Anakin era o jovem ajudante e piloto de Podrace do mercador Watto, além de ser construtor de droids – tudo isso aos 9 anos de idade, e sendo bem mais do que eu já fiz em meus vinte poucos anos. Qui-Gon logo teve sua atenção focada no jovem Ani, como veio a ser chamado por Padmé, e através de um estranho aparelho que media a Força no jovem, veio a descobrir que ele poderia vir a ser o jovem mencionado na grande profecia, que nunca foi mencionada por inteiro em filme algum.

De todo modo o filme se desenrola a partir daí com muito desgaste, e cenas avulsas do Senado com o então senador de Naboo: o Senador Palpatine, que se erguia em meio ao esquema político de Coruscant. Mas, por fim, temos dois momentos que valem o filme como um todo:  a corrida de Podrace, que é recheada de reviravoltas e ação, e culmina na primeira vez que Anakin usa a Força. Além disso, temos o maior duelo de sabre de luz de todos os filmes. O Duelo de Destinos mostra a luta do até então sumido vilão Darth Maul, e seu incrível sabre duplo, contra os Jedi Qui-Gon e Obi-Wan.

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Resumindo bem, a Ameaça Fantasma não é um filme bom, mas é bacana para quem se interessa nos panos de fundo e motivos que fizeram girar todo a trama de Star Wars, com destaque também para a trilha sonora de arrepiar que já existia na trilogia clássica. Ainda assim, o que mais me incomoda nesse filme não é nem Jar-Jar Binks ou o grande nada que preenche os minutos, mas o desperdício que esse filme trouxe. A “Ameaça Fantasma” sempre vai ficar marcado pra mim como o filme que poderia ter sido incrível, melhor até que a série original, que penava com os efeitos da época e coreografias desajeitadas que hoje são vistos com desdém pela geração 3D. Darth Maul tinha tudo para ser um dos vilões de maior presença na série, mas parece que esqueceram de colocá-lo na tela. Qui-Gon é um personagem que poderia também ter sido trabalhado mais a fundo, devido a sua grande carga filosófica que ia de encontro aos Jedi tradicionais. E quanto a Jar-Jar, esse poderia ter sido simplesmente ignorado, apesar do futuro que ele teria no Episódio II…

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