Slasher: Os Culpados (2017) entrega uma verdadeira trama slasher

Contém pequenos spoilers “Slasher: Os Culpados”, mas continue lendo. Sobre a primeira temporada, leia aqui.

Sem dúvidas, não tem como falar da Sexta-Feira 13, “o dia do azar”, sem lembrar do longa de 1980. Consideravelmente chato, o filme conseguiu ir muito bem nas bilheterias na época em que foi lançado, ganhando assim dez sequências e um remake. Com isso, a história do assassino, sua máscara e cenas de morte se tornaram icônicas para a franquia. A série “Dead of Summer” até atiçou sobre as expectativas prometendo homenagear os filmes slashers com temática de acampamento, mas se lançou na vã tentativa de fazer diferente e surpreender o público.

Mas a inspiração não para, e é o que se sucede para a antológica série de terror “Slasher”, que para a segunda temporada – depois da estranha empreitada com “O Carrasco” – decide misturar um pouco da trama de “Sexta-Feira 13” e do fraco “A Morte Convida Para Dançar” e nos apresentar o enredo de “Slasher: Os Culpados”: cinco anos depois de um evento trágico, cinco amigos decidem retornar para o antigo local em que eram monitores de um acampamento de verão afim de lidar com o passado. Abrigados com os novos moradores da região, não contavam que no agradável cenário de inverno teriam que lutar pelas suas vidas contra um(a) misterioso(a) assassino(a).

A boa notícia é que “Os Culpados” consegue superar a temporada antecessora e entregar uma trama digna de ser chamada de slasher. Aqui, temos um serial killer contido, sem parecer que todos os seus atos parecem fazer parte de uma encenação galhofa a qual o telespectador é a plateia, mas esqueceu de trabalhar melhor a coerência para que seu desenvolvimento fosse mais prazeroso – qual a lógica em saber que tem há um homicida à solta e decidir ficar do lado de fora da casa? É, não tem.

Na primeira temporada, um problema frequente foi a forma em que seus personagens foram retratados: sem um mínimo de aproveitamento, apenas eram justificados os porquês de suas mortes. A fórmula se repete aqui; através de flashbacks – com pouco cuidado também na coerência – vamos adentrando no papel que cada personagem tem ali. Além de ter um elenco que sabe atuar, pelo menos, em “Slasher: Os Culpados” suas personalidades foram desenvolvidas de maneira mais proveitosa e ampla, provando como o roteiro funciona muito bem sem a aparição do assassino.

slasher: os culpados

Sendo assim, “Slasher: Os Culpados” ainda pretende ser levada a sério no gênero slasher, apontando a série como um bom diferencial. Se a perversidade que o Carrasco queria passar era denunciada com a falta de veracidade nas mortes de suas vítimas, aqui esse feito foi corrigido e soa bem mais realista diante da violência gráfica empregada. Todavia, é por conta da sua fórmula que a narrativa acaba se tornando monótona ao longo dos episódios, deixando-a cansativa em alguns momentos: na intenção de se manter interessante, visto que sua história se passa em pouco dias, termina por acrescentar pretextos, tirando a boa qualidade e acertos que conquistou.

Com o cancelamento do canal Chiller – pelo qual a série era produzida – não é certo que “Slasher” volte para uma terceira temporada – talvez se a Netlfix mostrar interesse, o quadro mude, visto que ela distribui a série em alguns países. No mais, “Slasher: Os Culpados” foi a prova de que há esperanças para a antologia continuar explorando uma abordagem diferente dentro dos subgêneros, diante da sua trama bem amarrada, mesmo que tendo um final com escolhas abaixo da média, mas que continua sendo gratificante.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.