Yellow Sounds #50 – Bookends (1968)

“A música é para sempre; a música deve crescer e amadurecer com você, te seguindo até que você morra”

paul e art

Os americanos Paul Simon e Art Garfunkel formaram um dos duo folk de maior sucesso dos anos 1960. Queridinhos da América, eram conhecidos pela harmoniosa combinação de suas vozes, que os destacavam entre os demais. Estavam lado a lado com Beatles Bob Dylan. Vencedores de vários Grammy e membros do Rock and Roll Hall of Fame desde 1990.

Se você chegou até aqui sabendo pouco sobre os sensacionais Simon & Garfunkel, tudo bem. Apesar de tê-los ouvido em diferentes trilhas sonoras, de Forrest Gump a Quase Famosos até A Primeira Noite de um Homem, filme que nos trouxe até aqui, eu pouco sabia sobre eles. Até que fui instigada a ouvi-los.

Bookends não é o álbum de maior sucesso da dupla, mas é o que traz o famoso hit Mrs. Robinson,  que tem ligação direita com o filme. A saber, a trilha é, em sua maioria, de S&G.

À época, o duo já havia alcançado o sucesso e contavam com um Simon mais maduro e experiente na composição das canções. Isso resultou num material mais reflexivo e ainda poético. Simon quis que Bookends fosse um álbum conceitual, apresentando temáticas que compõem o ciclo da vida: juventude, amor, desilusões, relacionamentos e velhice.

Ainda que muitos dos álbuns tratados aqui na coluna sejam da época do vinil e das divisões entre lados A e B, não costumo detalhar isso por aqui. Com Bookends, porém, isso se faz necessário. O conceito em questão se concentra na primeira parte do álbum que é apoiada por Bookends Theme, como introdução instrumental, e por Bookends Theme – reprise, completa, ao final. Para que fique claro, Bookends são aqueles aparados utilizados para apoiar/segurar livros nas estantes, conhecidos como aparadores de livros.

aparador
Isto, queridos, é um aparador de livros

Nessa primeira parte, as faixas que mais me chamam a atenção são Save The Love Of My Life – para mim, melhor que America, que se tornou hit –, Old Friends e Voices Of Old People por ser exatamente aquilo que o nome indica, vozes de “pessoas velhas” (falando e não cantando).

Apesar de Bookends ter se destacado como um relevante álbum conceitual, é a segunda parte, composta em parte por faixas inutilizadas para A Primeira Noite de Um Homem, que mais me agrada. Talvez por estar um pouco na contramão do ritmo lento das demais.

Aqui temos, além da já citada Mrs. Robinson, a minha favorita, Fakin’ It, A Hazy Shade Of Winter e At the Zoo como destaques. Ainda que essas não tenham tanto significado e/ou profundidade, me aparecem como um necessário momento de mais rock e mais energia após a bela e um tanto quanto melancólica sequência folk das faixas precedentes.

Bookends demorou 14 anos para ser lançado no Brasil. Considero esse atraso como uma tradição que eu mantive ao demorar tanto para ouvir o álbum e dar a Simon & Garfunkel a devida atenção. Seja esse o seu caso ou não, fica a dica de mais um dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Enjoy 🙂

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.