Yellow Sounds #58: S.F. Sorrow (1968)

Uma história sobre a vida e morte de Sebastião, o filho da tristeza…

S.F Sorrow foi o pioneiro dos álbuns conceituais do rock. À época de sua criação, os ingleses da Pretty Things já tinham três outros álbuns lançados e queriam fazer algo diferente. Foi a partir de uma ideia do baixista Wally Alan, desenvolvida pelo vocalista Phil May que a história de Sebastian Sorrow ganhou forma. O álbum começa narrando o nascimento de Sebastião (S.F. Sorrow Is Born). Ele teve infância comum e sua mente imaginativa provavelmente o ajudou naquela típica cidadezinha, até que sua ilusão fosse interrompida pelo início da vida adulta.

Pretty Things

Sebastião vai trabalhar na única fábrica da cidade, que está assombrada pelos horrores da guerra e do desemprego. (Bracelets of Fingers). O que salva nosso protagonista é a descoberta do primeiro amor por uma garota especial que sempre lhe dava “bom dia” (She Says Good Morning). Sebastião acaba sendo convocado para a guerra (Private Sorrow) e se afasta da amada. Tendo sobrevivido a toda essa loucura, e se reencontra com sua noiva, para reconstruir a vida numa nova terra, a ‘Amerika’. A jovem, porém, sofre um acidente de balão (Balloon Burning) e  Sebastião presencia sua morte (Death).

O trauma o afunda numa depressão. Alucinado – e aqui vale lembrar que o Pretty Things estava naquela onda psicodélica -, Sebastião começa uma jornada pelo seu subconsciente, conduzida por um Barão que aparece como alusão a uma entidade religiosa (Baron Saturday). Uma jornada (The Journey) recheada de memórias, reflexões e revelações sobre sua vida (I See You). Sebastião fica cada vez mais perdido e atordoado (Well of Destiny).

A viagem mental faz de Sebastião um desiludido incapaz de confiar em quem quer que seja (Trust). E é assim que ele envelhece, abandonado dentro de si para aguardar a morte (Old Man Going). Sebastião, o homem mais solitário do mundo (Loneliest Person). Há quem coloque a carga de tristeza presente em S.F. Sorrow – Sebastian F. Sorrow – como responsável pelo fato do álbum não ter sido um sucesso comercial. Apesar disso, foi bem recebido pela crítica e no meio musical.

pretty things

A carga emocional é, para mim, o que dá o tom de beleza de S.F. Sorrow. Acima, está a minha descrição da história de Sebastião, numa tentativa de fornecer o contexto necessário à apreciação completa desse álbum conceitual.

Muitas vezes esquecida, Pretty Things merece ser lembrada não apenas como mais uma representante da invasão britânica, mas também como a responsável pela criação da primeira ópera rock da história, antes mesmo do clássico Tommy (1969), do The Who.

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.