Resenha | Sexta-Feira 13 (1980) – O slasher que não se aprofunda (spoilers)

Embora o sucesso de “A Morte Te Dá Parabéns” esteja aí para avivar o subgênero slasher, é natural remetermos aos clássicos que são a fonte de inspiração. Assim como Michael Myers em “Halloween”, Jason Voorhees é um ícone dos clássicos slasher. Tive várias oportunidades para conferir “Sexta-Feira 13” depois de ter assistido a títulos aleatórios da franquia (começando por “Jason X”, infelizmente). Mas após dar início a maratona e assistir a este primeiro capítulo, fica claro o motivo da falecida atriz Betsy Palmer – Sra. Voorhees, mãe do Jason – ter confessado que fez o filme só porque precisava trabalhar, pois o roteiro “era uma m****“.

betsy palmer

Até os dias de hoje, a data “sexta-feira 13” é temida por muitos e, obviamente, o longa se passa nesse dia. O ano é 1979. Apesar dos vários casos com fins trágicos ocorridos na região do Crystal Lake, nada impede que os dedicados monitores do acampamento reabram as portas, ignorando os avisos do chamado Crazy Ralph (Walt Gorney), que dizia que eles estavam todos amaldiçoados e iriam morrer.

Pode não ser exclusivo do subgênero, mas é de praxe que filmes de terror – até os que se levam a sério – tenham  personagens estereotipados e superficiais. “Sexta-Feira 13” não se afasta disso. É fácil identificar quem é quem e quando acontecerá uma morte. Isso vale também para a final girl (jargão de filmes de terror o qual se refere a última mulher que enfrenta o assassino e sobrevive para contar a história), que se denuncia ao espectador por se destacar bem mais que os amigos, que fazem coisas estúpidas e só querem saber de sexo.

sexta feira 13

Não bastando isso, parece que o próprio filme se esquece que a trama gira em torno de um slasher e realmente acredita que está trabalhando meticulosamente num roteiro esplêndido. Começa empolgando, de fato, ao subverter o que parecia ser a introdução da protagonista, matando-a a caminho do acampamento Crystal Lake. Isso atiça a curiosidade sobre o mistério de quem seria o(a) assassino(a), visto que tudo indicava ser alguém amigável porque não se escondia atrás de uma máscara. Outro acerto do filme foi colocar os movimentos do assassino em primeira pessoa; dessa forma, apenas as vítimas conhecem o seu rosto e o expectador embarca no mistério.

Porém, tudo isso é jogado fora quando o filme fica mais de trinta minutos “explorando” a superficialidade dos seus personagens. E o quadro fica ainda mais grave porque a trama não consegue instaurar o terror e muito menos passar a tensão pretendida (embora deixe uma marca com a intensa trilha sonora). A pergunta que fica é: seria esse o maravilhoso “Sexta-Feira 13”, digno do seu nome? Acho que não.

sexta-feira 13

O filme é chato – extremamente chato. A revelação de quem estaria cometendo os assassinatos seria fundamental, e o roteiro faz uma grande promessa nesse quesito, mas continuou a falhar. Todos estão mortos, exceto a final girl, quando, de repente, aparece uma nova personagem. A essa altura do campeonato, esperava-se que essa nova pessoa oferecesse ajuda à sobrevivente – que desesperadamente dizia que seus amigos estavam mortos – mas tudo o que ela fazia era dar respostas estranhas. Quem mais seria o autor dos crimes?

O roteiro apostou alto demais em querer tirar o fôlego com a reviravolta. Pelo menos se mostrou competente em trabalhar a motivação dos crimes, que deve ser aspecto mais convincente do filme. Achou pouco? Pois é, parece que o roteirista não pensou assim. E como ele acreditava que o longa era “terror de verdade”, nada melhor que colocar aquela cena manjada para dar susto de última hora, não é mesmo? No mais, mesmo todos os esforços para ser um bom slasher não salvaram “Sexta-Feira 13” de ser fraco, chato e um filme do qual os créditos são a melhor parte.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.